Orquídeas que falam
Sei lá porque, eu sempre achei que orquídea é uma flor cheia de melindres, difícil e que não era pro meu bico. Mas daí eu comecei a ganhar orquídeas de Deus e o mundo. Então fui aprendendo a lidar com elas e descobri que funcionam como filiais.

Esta, por exemplo, é uma filial da minha avó, que hoje vive num plano superior.

Esta é uma filial do meu pai, que vive em Holambra.

Estas são da ex-proprietária. Repare na boca de crocodilo. É para que eu não me atreva a mexer nas orquídeas instaladas por ela.
Escrito por Índigo às 11h48
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Vida no campo tb é isso
De volta à lan-house, ouvindo Lady Gaga, cercada por adolescentes. A luz é de inferninho. Tudo escuro, apenas uns focos azuis. Portanto, sem muito o que contar hoje.
Escrito por Índigo às 16h41
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Banquete de sapos
Justo quando eu achava que tinha resolvido minha relação com os sapos, surge uma nova espécie que só aparece no meio da noite e dentro de casa. São do tamanho de uma barata e fazem barulho quando pulam, ao contrário dos que ficam fora. Plec, plec, plec. Isso já seria bem apavorante de se ouvir no meio da noite, mas o pior é que Valentina provou uns dois e achou uma delícia. Então, agora quando ouço plec, plec, plec no meio da noite, em seguida ouço uns miados e um croque, que é o estalo dos ossinhos. Primeiro ela dá uma mordida estratégica que mata, daí vai arrancando membros e saboreando aos poucos. De manhã tenho que dar uma olhada ao redor da cama pra não começar o dia pisando em sapos dilacerados.

BOM DIA!
Escrito por Índigo às 10h12
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Ligeirinho
Hoje cedo, tomando meu café na varanda, vi um esquilo. Muito de vez em quando esquilos dão o ar da graça por aqui. Mas hoje ele chegou pulando do telhado, deu uma corridinha, disparou pelo pé de acerola e saiu saltando feito um sagui. Tudo isso num flash. Foi o tempo de eu pensar, “ah, que pena que não vai dar pra tirar uma foto.” Nem que eu estivesse com a camera na mão, até ligar e focar, o máximo que eu ia conseguir registrar seria isso, uma lembrança de por onde ele passou.

Então terminei meu café e vim pro computador começar meu dia de trabalho. Abro os emails e só então me dou conta da rapidez do bicho. Vendo a minha lerdeza ele mesmo já tratou de fazer um autorretrato, descarregar no seu lap e me mandar por email. Gostei do rapaz.

Escrito por Índigo às 09h39
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Temporal

Aqui quando chove é como se uma braveza estivesse cercando a casa. As árvores apanham. As flores são chicoteadas. A mata começa a estrebuchar e o vento morde o que estiver no caminho. Os raios vêm que nem maldição e a gente sente vontade de ser melhor, por covardia. Tiramos tudo das tomadas e ficamos sentados quietinhos. Não dá pra ler, conversar e nem pensar em nada específico. Parte da tempestade acontece dentro.
Escrito por Índigo às 16h06
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Invasores

Alguns são discretos e silenciosos. Você passa por eles várias vezes ao dia e nem percebe. Respeitam o espaço do outro. Chegam a ser decorativos, tamanha sua elegância natural.

Mas daí tem aqueles que já chegam se espalhando, fuçando em tudo, abrindo seus diários e derrubando coisas no meio da noite. Só saem à vassourada e mesmo assim ameaçam voltar com a turma toda.
Escrito por Índigo às 08h55
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Explicação

É parte do meu processo criativo
Escrito por Índigo às 09h40
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Kinderovo
Hoje, durante a ronda matinal, encontrei isso:

O interessante é que essa mudinha verde-limão ao lado foi plantada ontem mesmo. Repare na terra vegetal ainda fresca. Passei o fim de semana trabalhando nessa forração. Fora isso, hoje é o dia em que apresento um trabalho complicado, desses que dão frio na barriga. Ah, sim, também não podemos esquecer de que estamos na quaresma. Tudo muito simbólico, dando margem a uma mitologia particular baseado em evidências concretas. Mas, em termos práticos, coloquei-o aqui:

Só pode ter caído desta árvore. Suspeito, não? De todas as árvores disponíveis, os pais foram escolher justamente a mais impenetrável e agressiva. Não, não encontrei o ninho. O máximo que deu pra fazer foi escondê-lo entre as folhagens. Aguardem boletins especiais.
Escrito por Índigo às 08h45
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Sininho

Com a convivência diária, comecei a enxergar beija-flores com outros olhos. Depois que eles pegam intimidade, não são aquelas criaturinhas arredias e apressadas. Essa foto, por exemplo, é uma das melhores de uma sequência de 30. Eu estava a um metro dele e ele ficou ali paradinho. Virava a cabeça pra cá, pra lá, olhava em cheio para o visor, virava os olhinhos, fazia pose, até que eu cansei de fotografá-lo. Só aí ele levantou voo. Outro dia estava conversando com a vizinha e um deles veio me chamar. Ficou parado na altura da minha cabeça, batendo asas, que nem a Sininho com o Peter Pan. Eu olhava pra ele e não entendia nada. Continuei conversando, e ele ali, parado no ar. Até que aproveitei a deixa e disse que precisava ir. Apontei para o beija e dei aquele sorrisinho que quer dizer, você entende, né?
“Ah, sim, claro. Vai lá”.
Escrito por Índigo às 09h19
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Uma nova geração de leitores
A seguir, imagens reais de um jovem leitor, Benjamim. “A maldição da moleira” foi o primeiro livro que sua mãe leu para ele. E ao que tudo indica, funcionou. Clique aqui e veja imagens reveladoras.
Escrito por Índigo às 08h30
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Reino das águas claras

Passando por esse bambuzal você chega num segundo bambuzal mais secreto, que vive deserto a não ser pelas borboletas brancas e umas presenças invisíveis. Daí você continua e chega num riacho de água bem calma, raso. Você pode andar e andar com a água sempre no joelho. Do lugar onde a foto foi tirada você tem a melhor visão da cachoeira. Se eu tivesse girado, você poderia ver. Mas eu estava prestando atenção nas tais borboletas brancas que parecem pedaços de sacola de supermercado voando, de tão grandes que são. Como você pode ver nesta imagem, elas não aparecem em fotos. No momento deste clique havia umas cinco delas. Nesse sentido, essa é uma foto literária, com omissões propositais em respeito à inteligência do leitor.
Escrito por Índigo às 09h15
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Retrospectiva Valentina

Em 2001, como musa inspiradora e inspetora. Seu maior prazer era se empoleirar no meu monitor e ficar varrendo a tela com o rabo. Era como um limpador de pára-brisa literário. Era um dedão indicador dizendo na-na-na. Foi assim que aprendi a sempre duvidar do meu texto.

Em 2006, aqui Valentina já achava que não era mais necessário ficar em cima do computador. Ela ficava ao lado do mouse, acompanhando de canto de olho. Se eu escrevia alguma bobagem ela gritava, eu deletava e assim prosseguíamos.

Em 2010, no seu ano sabático, curtindo o descanso merecido. Levemente entediada.
Escrito por Índigo às 11h07
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Chega de imaginação
Tchan-nan! E hoje, um presente para você, leitor, que sempre desejou “ver”. A partir de agora este blog passa a ter registros fotográficos. Agora você vai poder maximizar sua experiência campestre e realmente mergulhar num ambiente fascinante de cores, texturas e imagens surpreendentes.
E para inaugurar esta nova temporada, um registro íntimo dos primeiros movimentos das sementes de calêndulas. Veja que interessante, nos primeiros dias de vida já podemos notar as peculiaridades de cada muda.
Esta é uma típica muda voluntariosa que vai dar muito trabalho. Ela se arrasta pelo chão, corcunda e sorumbática. Não sei de onde vem tanto desânimo. Mudas assim me deixam inconformada.

Aqui já temos uma muda que sabe o que é esperado dela. Veja que ela se esforça. É como uma bailarina de dança contemporânea. Ela vai se desenrolar aos poucos. Primeiro você acha que não vai dar certo, mas uma hora ela mostra serviço.

E aqui a minha queridinha. Repare na energia vital. Firme, determinada e positiva. São mudas assim que me fazem ir em frente. Só pela inclinação das folhas a gente já consegue ver o potencial da sua beleza interior. Uma belezinha, mesmo.
Escrito por Índigo às 09h59
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O movimento das calêndulas
Enquanto isso, no laboratório botânico, transferi as primeiras mudas – da sementeira para caixinhas de leite cortadas ao meio. Agora elas devem passar um mês encorpando e entrando em acordo consigo mesmas. Antes compartilhavam o mesmo recipiente. Agora vão aprender a existir como indivíduos. É aí que se fortalecem. Depois, numa terceira etapa, voltam a se encontrar na floreira coletiva, onde, como grupo, atingem seu pleno potencial. Mas isso elas não podem saber ainda.
Escrito por Índigo às 08h25
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A paixão pelo outro
É como um novo tipo de paixão, o texto do outro. Estou apaixonada pelo texto que estou traduzindo. Chega a ser melhor que a curtição com o próprio texto. Quando é o meu texto eu não consigo ficar trabalhando oito horas por dia, sem parar, lendo e relendo. Eu ficaria irritada, ia achar tudo ridículo e destruiria o texto. Mas o texto do outro é uma alegria constante. Principalmente lapidar a tradução. É puro exercício de estilo e vocabulário. É um ateliê. Vai ver é isso. O meu problema é ter que inventar fatos e falas e cenas para o próximo capítulo. Vai ver minha habilidade esteja em montar boas frases ( se bem que essa não ficou muito boa).
Escrito por Índigo às 18h00
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A segunda melhor coisa

Isso foi no final do ano passado, quando estive no colégio Santa Clara, em São Paulo, conversando com uma turma que leu “Perdendo perninhas”. Era a última semana de aula. As fotos chegaram hoje. Essa é a segunda coisa mais legal de escrever para crianças e adolescentes, poder conversar com eles e descobrir o que acharam do livro. Não que eu pergunte, e eles também não falam exatamente, mas de alguma maneira eles dizem e eu fico sabendo. A primeira coisa mais legal é escrever de fato. Estou há quatro meses sem escrever. Pareço uma alcoólatra. É como se fossem quatro anos. Mas não escrevo. Estou me segurando. Ontem, lendo Mark Twain, me deu um siricutico. Até fechei o livro.
Escrito por Índigo às 13h53
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A volta da sementeira
Depois do fiasco da alfazema, (que jamais germinou) comecei uma nova tentativa com sementes. Dessa vez, para tirar a prova, novamente plantei alfazema - na ala oeste da sementeira - e calêndulas, na ala leste. Diferentemente da primeira vez, semeei no dia de pico da lua cheia. Também coloquei a semente deitada sobre a terra, com uma leve camada de terra por cima. Um lençol. E daí, tcha-nan. As calêndulas já deram sinal de vida. As alfazemas, como da outra vez, nem tchum.
Agora resta descobrir como devo semear alfazema. Já pensei numa técnica. Notícias em breve.
Fora isso, a internet voltou num ritmo meio-termo entre uma calêndula vivaz e uma alfazema cadavérica. Sendo que ela vai de um extremo ao outro sem o menor critério.
Escrito por Índigo às 15h02
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Castigo
É como se eu estivesse de castigo. Nada de internet lá em casa.
Por isso, Zezé, ainda não consegui responder seu email, e nem pesquisar.
O bom é que assim consigo trabalhar mais no que realmente importa - terminar uma tradução.
Ontem, aliás, ouvindo o velho e sábio Mindlin, ele disse exatamente o que eu precisava ouvir.
"Traduzir é recriar" Tem uma passagem no livro que estou traduzindo, um jogo de basquete, que agora já estou recriando para um jogo de pingue-pong. E não é que funciona?
Escrito por Índigo às 10h53
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