Hoje tem
Hoje temos internet e luz elétrica, o que eu já considero um sucesso. Quer dizer, agora a internet caiu, mas ela volta. Vai e volta. É como dias de sol intercalados com dias de chuva. Temporada de taturana e temporada de borboletas. No dia que faz sol eu trabalho nos canteiros. No dia que chove, eu leio. E assim vai. Sendo que tem dias em que a coisa não vai. Mas a gente aprende a lidar com as forças naturais e artificiais. Quem sabe assim eu me torno uma pessoa melhor.
Escrito por Índigo às 10h37
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A verdadeira vida no campo
Novamente numa lan-house. Sem internet em casa.
Agora além de taturanas subindo no corpo da gente tem as cigarras que parece que vão estourar nossos miolos. Tive de voltar a beber água do poço. Não tem mais água para vender na cidade, por conta da lei do galão. Não me pergunte. Também não entendo. Hoje, antes de vir para cá, me enfiei debaixo de cobertas e fiquei ali parada, esperando passar.
Escrito por Índigo às 12h53
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Quatro coisas
Aqui acontecem fenômenos interessantes.
Ontem caiu a força da casa inteira exceto por dois computadores que continuaram ligados.
Há algum tempo, quando toda a casa também ficou sem força, um único abajur de canto continuava acesinho da Silva, feito o Iluminado.
Um tucano tamanho médio parou de voar por aí com sua tucana e está andando pra cima e pra baixo com um pássaro de peito amarelo.
As goiabas aprenderam a se embrulhar entre folhas, e só descobrimos que existiam depois que se lançam ao chão, suicidas e orgulhosas.
Escrito por Índigo às 12h07
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Paisagem
Na frente da minha janela fica a estátua da Branca de Neve num pedestal. Acima da cabeça da Branca de Neve o galho de uma árvore, que agora contém uma teia de aranha. A teia é um octógono conciso com um furo no meio. No furo há um miolo, feito uma pupila. As bordas são feitas de fios mais espaçados. Da onde estou sentada, escrevendo, observo tudo com uma nitidez televisiva. Vejo inclusive quando mosquitinhos batem em cheio, esperneiam e fim. O conjunto todo, pairando sobre a cabeça de Branca de Neve, é como um pensamento numa história em quadrinhos.
Escrito por Índigo às 10h02
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Criaturas
Entramos na época de taturanas. Elas estão por toda parte. Na gente, inclusive. Já peguei taturanas no meu ombro, subindo pela minha perna, no meu cabelo. Muito desagradável. Outra forma de vida que decidiu dar as caras são umas criaturinhas que mais parecem vermes. São um meio-termo entre uma minhoca gigante e uma pequena cobra. Podem ser lombrigas em busca de barrigas, sei lá. Na dúvida, pego com a pá e jogo no mato. Sempre achei Novembro um mês estranho.
Escrito por Índigo às 09h53
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Balada literária, lá vou eu
Hoje começa a Balada Literária, o evento literário mais bacanudo de São Paulo. Tô indo
Veja a programação completa aqui. Imperdível
Escrito por Índigo às 08h26
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A escrita de cada um
Hoje uma amiga mandou um email falando sobre seu estilo de escrita. E lá pelas tantas ela diz: “Esse é meu jeito, pelo menos por enquanto”. E daí eu penso na minha própria escrita. Eu gostaria tanto de escrever outro tipo de história, com outro tom, outro ritmo. Tenho tentado. Obsessivamente. Mas não funciona. Fica falso, forçado. Pareço uma impostora. Às vezes eu acho que a gente escreve de acordo com as nossas limitações. De vez em quando, depois de muito suor, aqui e ali a gente consegue superar alguns obstáculos, mas é raro. Jeito de escrita é que nem a cara da gente. O melhor é trabalhar com o que lhe foi dado. Caso contrário você pode virar um Michael Jackson. Algo assim.
Escrito por Índigo às 09h01
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Fora do ar
De novo na lan-house porque em casa não tem conexão.
Será o fim da vida no campo?
Será que terei de alugar uma sala comercial?
Será uma conjunção astral?
Escrito por Índigo às 13h56
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Café filosófico
Último dia de feira. Acordo, vou tomar café e encontro o filósofo francês ficando um garfo num pedaço de mamão. Sem pensar eu digo:
- Bounjou-RRÁÁ!
Pois aprendi que hoje em dia ninguém diz bonjour cantarolado. O cool é colocar um RHÁ no final. O francês se vira e solta um bonjou-RWGHÁR, pra mostrar que o francês ali é ele, mas que sim, eu tinha acertado. Então resolvemos tomar café juntos. Assim que me sento à sua mesa eu me dou conta de uma coisa. Este É Jean-Pierre Faye, a maior autoridade em totalitarismo, brother do Sartre, um pensador importante. O que é que eu vou conversar com esse homem? Então, rapidamente ele começa a me contar suas memórias da segunda-guerra mundial e da polícia nazista. Daí o assunto vai para Espanha e Franco, e naturalmente para abacates e como gerenciar bem o seu tempo. Não vou conseguir recriar as conexões entre os assuntos, mas quando se conversa com grandes pensadores é assim mesmo.
Escrito por Índigo às 09h20
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Porto Alegre: primeiras impressões
Sobre carne: você pede um espaguete à bolonhesa e em vez de carne moída vem verdadeiros cubos de bife. Daí no almoço do dia seguinte você pensa, vou pedir um negócio mais leve. Um risoto. Vem o prato e tchan-nan: mais nacos de carne de brinde.
Sobre looks: é um povo estiloso. Aprovado. Principalmente os adolescentes. Óculos escuros incríveis.
Sobre a feira de livros: TODA feira de livros deveria ser assim. Dá pra respirar. Sem ar condicionado, ao ar livre, com a brisa do rio e espaços separados: crianças correndo soltas num lado e adultos em paz no outro. Perfeito.
Escrito por Índigo às 13h37
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Estou em Porto Alegre
Isso é incrível. Hoje de manhã estava em casa, de pijama, trabalhando e esperando uma passagem que nunca chegava. Daí, meio-dia ela chegou. Joguei umas roupas na mala, peguei estrada, depois avião e vim. Agora estou aqui!
Bem, vou participar de várias atividades na Feira do Livro. Anotem aí
Amanhã
Lendo para Valer – ainda não sei horário nem local. Aguardando instruções
Dia 13, sexta-feira
Começo o dia com uma atividade com a escola “Chapéu de Sol”. O projeto se chama “Adote um escritor”. Sei que os alunos de lá já andaram lendo os meus livros. Então será uma conversa com eles.
14 hs – Semana da Literatura Digital – bate-papo comigo.
Local – Casa do Pensamento.
19:30hs – Novamente Semana da Literatura Digital – bate-papo comigo e Ana Grusynzki e Paulo Tadesco
Escrito por Índigo às 19h59
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Lírios delirantes
Durante a maior parte do ano são folhagem. Fazem um composê, mas não têm nenhum charme especial. Agora floriram. Tchan-nan! Por onde você olha, lírios e mais lírios. Brancos, cor de abóbora, rosa claro, laranja, roxos. Parece jardim encantado, principalmente pelo efeito surpresa. É da noite para o dia. Você acorda e eles estão todos a postos, esperando para serem apreciados. Erguem a cabeça para o céu, fingem que fecham os olhinhos e espiam de soslaio. Além de água, precisam de elogios constantes. Como os gatos.
Aliás, agora que escrevi esse post, tive um clique.
Já reparou no aviso sutil? “Chá de lírio” está a um triz de “Chá delírio”. É isso aí crianças.
Vida no Campo defendendo o bem-estar social.
Escrito por Índigo às 08h03
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A verdadeira vida no campo
Escrevo de uma lanhouse. Triste isso. Vim para cá para conseguir trabalhar. A conexão 3G está tão ruim que não consigo fazer as coisas mais triviais lá em casa. Quer dizer, ontem fiz bolo de coco e no sábado fiz mousse de limão. Bem, agora vou trabalhar que é por isso que estou aqui.
Escrito por Índigo às 11h17
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Chá de bebê
Na cidadezinha aqui ao lado tem uma papelaria que executa todos os tipos de serviços gráficos, sendo que o encarregado disso é uma pessoa bastante empolgada. Na semana passada bati os olhos nos convites de chá de bebê.
Demorou uns bons minutos para eu entender que aquilo era convite para chá de bebê. Primeiro achei que fosse flyer de garotas de programa. É assim:
Formato de marcador de livro com a foto da future mamãe pelada a não ser por um top mínimo sem alça. A foto é da “cintura” para cima. As barrigas invariavelmente são de oito meses ou mais.
Cabelos soltos e sorriso de orelha a orelha. Pelo movimento dos cabelos, na hora da foto devia ter um ventilador ligado em potência máxima em algum lugar do estúdio.
O letreiro é o nome do baby: “Chá do Vinícius”.
O fundo é um degradê azul ou rosa, dependendo do gênero do baby.
E daí o endereço: “Na casa da Ângela”.
Sem rua, número, telefone, RSVP, nada. Também nenhuma informação sobre o pai. Em ambos os casos, todo mundo já sabe.
Escrito por Índigo às 08h58
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Aprendizados da horta
1. Em vez de comprar 15 mudas de uma hortaliça por R$1, é possível comprar meio a meio, que nem pizza. Considerando que cada acelga fica do tamanho de um arbusto, é melhor escolher dois tipos diferentes. Daí você não passar quarenta dias comendo acelga sem parar.
2. Cenouras odeiam água. Raízes, em geral, não são muito chegadas a água. Com a chuvarada das últimas semanas, perdi todas as cenouras.
3. Salsinhas devem ser plantadas num canteiro separado. Isso porque são extremamente resistentes. Elas podem ficar ali plantadas um tempão. Não murcham, não amarelam, não começam a se despetalar feito alfaces. Eu nem era muito chegada em salsinha, mas agora que vejo como são bem comportadas, virei fã. Boto no arroz, na sopa, molhos. Ah, sim, mas elas devem ser plantadas separadamente para não tirar espaço das espécies mais frágeis. Na horta fica quem dura pouco. No canteiro ficam os fortes.
4. Muito cuidado com olho gordo. Pode acabar com uma horta. Um bom amuleto é chifre de boi espetado num canto. É um pouco macabro, mas resolve. Espanta formiga, inclusive.
Escrito por Índigo às 09h46
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Aprendizados do pesqueiro
Da última vez que eu pesquei foi num açude e de isca usávamos minhocas nojentas. Isso foi há mais ou menos duzentos anos. Nesse fim de semana tive minha segunda experiência de pesca. Dessa vez num pesqueiro profissional. Eis o que eu aprendi:
1. Minhoca é coisa do passado. Agora os peixes só querem saber de salsicha. Sim, salsicha normal. Sadia ou Perdigão.
2. Para acompanhar as salsichas eles gostam de pedaços de macarrão. Pode ser espaguete. Corte o espaguete em pedaços de cinco centímetros e jogue na água. Os peixes vêm correndo.
3. Outra “isca” eficiente é um saco de ração estilo whiskas. Primeiro eu achei que bastava atirar na água, como o macarrão, e os peixes viriam. Mas, não, existe um estilingue especial. Você arremessa o punhado de ração láááááá do outro lado do lago, na sombra, onde os peixes ficam. A ração vai voando por cima do lago. É estranho, mas é assim que se faz.
Foi uma experiência esclarecedora. Eu tinha acabado de ler uns contos de pescaria do Hemingway e andava com uma ideia totalmente romântica da coisa. Hoje em dia pescaria é basicamente jogar comida no lago, esperar o peixe comer a comida e comer o peixe, que por sua vez terá gosto de salsicha.
Escrito por Índigo às 10h45
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Tentando voltar
A internet aqui não está nada bem. Escrevo esse post e nem sei se vou conseguir publicá-lo. Muitos emails para responder e nada de conexão estável. Dá até um leve desânimo de escrever.
Mas tem uma dica que quero passar para frente. O novo livro da Ana Paula Maia, “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” (Ed. Record). Que texto! Que história, que discernimento e que sensibilidade. É um pouco estranho falar de sensibilidade num livro que é uma chacina só. Mas leia e você vai entender. Juro que quando vi o termo “pulp fiction” achei que fosse uma coisa meio modernosa e pirada. Não gosto. Mas não é nada disso. É literatura da melhor qualidade. Contundente, visceral, lapidada e sincera.
Da esquerda para direita, Allan da Rosa ( o homem da Edições Toró, segurando um exemplar de “Como casar com André Martins”, oh!), Giancarlo (um dos responsáveis pelo sucesso do evento. Figura simpática que me orientava em meio a tudo aquilo), depois eu e Diogo (que mandou essa foto e também, sempre muito sereno e com boa vibe, tornou o evento possível.)
Escrito por Índigo às 09h42
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