Chove chuva

Algumas árvores já estão ficando meio amareladas. No meio da grama brota um tipo de mato que parece uma espada de São Jorge versão light. Parte do barranco se soltou. A Valentina não se aguenta e sai na chuva mesmo. Volta molhada e irritada. A horta parece que tomou esteróides. O almeirão pensa que é arbusto. O galo do vizinho, coitado, fica com preguiça de sair para cantar na chuva. Resolveu tirar férias. As vacas sumiram. Curiosamente, a população de cavalos aumentou. Mas molhados e sujos de lama eles ficam feios pra burro. Pelo menos ainda não comecei a encontrar lesmas. Melhor nem pensar nisso.



Escrito por Índigo às 09h08
[] []





Crepúsculo e vampiros em geral

Não tenho vergonha de admitir. Estou lendo Crepúsculo. E não consigo largar. Por que isso?

1.       Porque é um relato quase científico sobre a cabeça de uma adolescente.

2.       Porque o livro é ambientado numa escola, que é onde acontecem as melhores histórias.

3.       Porque você, eu, qualquer um poderia ter sido aquela adolescente.

4.       Porque no livro chove o tempo todo.

5.       Porque a protagonista, como toda adolescente, tem horror a adolescentes.

PS – Ainda no assunto vampiros, desde que me mudei para cá (que curiosamente se chama Recanto Pau d’alho) tenho trabalhado na tradução da série de livros da Charlaine Harris, que deram origem à série TrueBlood, da HBO. E agora acaba de chegar às livrarias o segundo da série: “Vampiros em Dallas”. Nessa série os vampiros estão sendo integrados à sociedade, pois foi criado um sangue sintético. Assim, agora eles não precisam mais sugar dos nossos pescoços. Bom, né?!



Escrito por Índigo às 09h34
[] []





Para saborear Bottarga

Primeiro você precisa ter um paladar muito sofisticado porque ela tem gosto, sim. Se você desligar o som, ajuda. E fechar os olhos e mastigar bem devagar, com muita concentração. Se isso não for suficiente sugiro um gargarejo com água gelada antes. Depois com água quente. Então volte à mesa e tente de novo. Se alguém estiver falando, peça para ficarem quietos um pouquinho. Depois de engolir, não beba nada, não engula a saliva e dirija sua atenção para o que está acontecendo no interior da sua boca. É muito sutil, mas se você se esforçar, o sabor está lá. Olhe para a Bottarga, fale sobre ela, dê a atenção que ela merece. Pense no preço. Agora prove novamente. Repita a operação quantas vezes for preciso. Se não acontecer nada da primeira vez, não desista. Tente depois de uma semana, num outro momento, com mais calma. É assim mesmo.

PS – Só não vá perder a paciência e jogar queijo ralado por cima!



Escrito por Índigo às 09h06
[] []





Em três dias em São Paulo:

1.       Fui almoçar num restaurante de comida por quilo. Um quadro se soltou da parede e despencou em cima de mim. Bateu no meu braço. A quina acertou o motinho de arroz e um tanto de feijão espirrou para o alto.

2.       Estava quase em Taboão da Serra, esperando o sinal abrir, quando dois cavalos vieram correndo pela avenida, pela contramão.

3.       Vi uma foto da Barbie com sua idade real: 50 anos. Eis

 

4.      Ganhei um licor de Genipapo.

5.      E um papelote de bottarga. Clique aqui e saiba tudo sobre bottarga.

 



Escrito por Índigo às 10h48
[] []





Flashs do lançamento do Casal Verde

A melhor coisa de lançamentos é encontrar amigos e ver as carinhas de leitores, em carne e osso, como Manu, uma futura escritora de 5 anos de idade que foi lá para me dizer como ela curte meus livros, e contar um pouco do que ela anda escrevendo.

Márcia Brito, que faz os melhores bonecos que já vi, levou duas galinhas para mim. E bateu essas fotos psicodélicas. As galinhas você confere aqui

E as fotos...

Mariana Zanetti, a ilustradora do Casal Verde, faz associações. Ela está apontando para Laura e fazendo conexões de quem é irmã de quem.

 

Esta é Laura, neta da Zezé e autora desse blog que é a coisa mais fofa do mundo. Nessa foto ela está muito concentrada em alguma coisa que não está ao nosso alcance. E eu, posuda, abraçando e sorrindo para as câmeras. Credo.

 

Lá pelas tantas a Mariana tentou me dar um tapa, mas eu fui mais rápida, então tudo terminou bem.



Escrito por Índigo às 10h31
[] []





Tempo

Depois daquele post uma das sementinhas resolveu me enviar um sinal de esperança e botou a cabeça para fora. Ela é do tamanho desse “T”. Uma coisinha de nada, mas tudo bem. É assim que começa. Nos outros quadradinhos ainda não tem muita coisa acontecendo, mas agora estou mais esperançosa. Fora que a forma dela também se assemelha à letra “T”. Um caule que é um risco vertical com duas folhinhas na ponta. Acho que é uma mensagem. Tempo.

Falando em tempo, é amanhã!

Lançamento do meu novo livro “Casal verde”

Livraria da Vila

Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena
16hs - oficina de colagem para os pimpolhos com Mariana Zanetti, ilustradora do livro.

17hs -  sessão de autógrafos

 

Te vejo lá.



Escrito por Índigo às 09h05
[] []





Bambu brotando

O povo aqui tem um jeito engraçado de falar sobre plantas. Árvore é “pau” e flor, independentemente da espécie é “rosa”. E para falar como eles é preciso mostrar desprezo pelas coitadas. Quando ganhei o bambu que dá rosas foi assim.

-              Tó, joga esse pau lá no seu quintal.

Essa é outra coisa. Nesse caso, “jogar” significa plantar direitinho, com terra preparada e tudo o mais. Isso eu aprendi porque sempre que elogio uma planta que evidentemente é tratada com tudo de bom e do melhor, a reação é de desprezo.

-              Esse pau véio aí? Ah, isso eu joguei aí. Tó. Leva um galho. Joga lá na sua casa.

Há uma sabedoria nisso. Planta boa tem de ser resistente. Não pode ter muito nhénhénhé. Ficou feia? Poda! Tá com frescura? Adubo. Não gostou do sol? Vai pro canto e fica quieta. Aqui é assim.



Escrito por Índigo às 08h36
[] []





Vento, quibe, bambu

Ventando muito por aqui. Sensação de que os carneiros do morro da frente vão desgrudar e voar em cheio na minha varanda. Muito chato quando isso acontece. Fora que a gente leva o maior susto. Justo hoje que eu ia tirar um tempinho para varrer folhas. Com ventania assim nem compensa. Oh, well... Lá se vai a minha grande atividade do dia. O jeito é sentar e escrever mesmo.

Fora isso, ontem fiz um quibe com as hortelãs que encontrei no meio do pasto. Ficou bom. Com gosto de quibe mesmo.

Ah, sim, e um bambu que eu tinha fincado na terra adubada, e que durante dois meses ficou ali, feito um bambu seco, agora começou a brotar. Amanhã explico melhor sobre isso.



Escrito por Índigo às 08h17
[] []





Livro novo

Eis “Casal verde”, meu novo livro infantil. O lançamento será no sábado, 25 de julho. Detalhes abaixo.

Sobre esse livro:

É um livrinho bem infantil. Desses que pais costumam ler para os filhos. Nesse sentido, é o tipo de livro que tem uma utilidade pública. Ele pode ser um dispositivo para colocar crianças para dormir, ou ao menos ajudar com que elas fiquem quietas durante uma meia-hora. É aquele tipo de literatura que a gente coloca a serviço de um bem maior. O pai mal lê o que você escreveu e já vai mudando o texto, num serviço automático de tradução/ adaptação. Se no final ele conta uma história parecida com a que eu escrevi, já considero um sucesso.

O importante é que o pai sinta que a criança foi atingida, como que por um dardo tranquilizante. No entanto, em hipótese alguma o pai pode adormecer junto. Tem ainda o custo-benefício. Um bom livro infantil deve ser relido ad infinutum por solicitação da própria criança. Isso deixa o pai contente. Significa que o custo-benefício foi positivo. Afinal, são R$ 28 por um texto papum. Portanto, uma vez lido, o livro tem de trazer resultados concretos.  Tudo isso para dizer que tenho consciência da responsabilidade de lançar um livro infantil. O frio na barriga é grande. Mas, vamos lá. Coragem. Sábado, na Livraria da Vila.

Sobre o lançamento:

Às 16hs haverá uma oficina de colagem para os pimpolhos com Mariana Zanetti, que ilustrou o Casal verde.

 

A sessão de autógrafos começa às 17hs

Livraria da Vila

Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena



Escrito por Índigo às 08h10
[] []





O pão e o sol

Nesse fim de semana fiz aquele mesmo pão, só que agora usando uma nova técnica. Depois que a massa está pronta você enrola num pano de prato, coloca dentro de um saco plástico e deixa debaixo do sol. Tipo forno natural. Antes eu tinha feito o pão numa noite fria. E passei horas esperando a massa crescer. E ela não crescia. Então, lá no finalzinho do livro de receitas encontrei o parágrafo onde falava da importância do sol e dos dias quentes na feitura do pão. E que não se faz pão à noite, muito menos em dias frios. Só que daí já era tarde demais. No fim, o pão ficou tecnicamente bom. Mas o desse fim de semana, que recebeu raios solares, este sim: é um pão no sentido religioso da palavra.

O tipo de pão que chega alegre e faceiro à mesa e se impõe. Senta ali, rechonchudo, crente que será alvo de elogios. Só falta virar de barriga para cima.  Carismático esse pão. Obviamente leonino e seguro de si. Mesmo depois que se vai, e deixa só uns farelos para trás, ainda dá para sentir o efeito da sua presença. Como um ator que sai de cena.



Escrito por Índigo às 11h08
[] []





Efeito batata selvagem

Agora, sim, começo a chegar perto do que considero o equilíbrio perfeito entre trabalho e tempo livre. Hoje, por exemplo, só trabalho até meio-dia. Nas próximas semanas meu novo expediente acaba às quatro da tarde. E as sextas-feiras serão sempre meio-período. Claro que para chegar nesse ponto tive que recusar uma série de convites de trabalho. Esses convites são como uma batata aqui da região. Ela simplesmente brota no meio do jardim, da noite pro dia. Suas folhas são enormes, de um verde imponente. Parece algo que está ali de propósito. E por ela ser assim, você fica sem jeito de cortar. Mas depois de algum tempo você olha para aquilo e se pergunta o porquê. Mas daí é tarde demais. Ela já está instalada, irredutível, te afastando do seu projeto original. Um perigo.



Escrito por Índigo às 08h19
[] []





O deserto da Sementeira

Hoje é o prazo de vencimento da sementeira. No pacotinho diz entre 10 e 15 dias. Hoje é o décimo quinto, mas sei não... Está tudo muito parado nos minúsculos lotes. Tenho algumas teorias de por que elas ainda não germinaram:

1.       A temperatura caiu demais. Em vez de expandir, elas se entocaram.

2.       Não usei o tal do vermiculina que dizem que tem de usar.

3.       É assim mesmo. Elas não seguem o prazo da embalagem. Terei de esperar.

4.       Faltou fé.

5.       Porque enquanto estava escrevendo esse post acabei entrando no Google para pesquisar um negócio sobre vermiculina e por conta disso fui cair numa página onde encontrei um artigo que me deu um importantíssimo click mental, portanto talvez a verdadeira função da sementeira era fazer com que eu chegasse aqui.



Escrito por Índigo às 08h04
[] []





Ainda me surpreendo

A vida no campo começa a virar uma vida normal. A única coisa que ainda me surpreende é quando vejo um tucano parado num galho à minha frente. Ou quando ele passa voando, atravessa a varanda. Duvido que vá chegar um dia em que um tucano pouse numa árvore e eu siga fazendo o que quer que seja.

Bem, tem também a questão das vagas na rua. Ainda fico muito impressionada com o fato de sempre haver vagas exatamente onde quero estacionar. É quase como se eu andasse com uma fada madrinha pairando sobre a minha cabeça. Acho que foram muitos anos morando em São Paulo. Fico maravilhada, toda vez.



Escrito por Índigo às 08h15
[] []





Saci

Tenho pensado bastante na questão do Saci Pererê. É o tipo de personagem que não tem carisma. Mesmo no Sítio do pica-pau amarelo, ele aparecia muito raramente. Logo sumia e daí demorava um tempão para aparecer de novo. Acho que o maior problema do Saci é que ele não chega a ser um vilão de fato, assumidamente mau. E por ser tão esquisitinho a gente tende a ter um pouco de dó dele. Aí que está o nó. Se um personagem provoca sentimentos de dó, esquece.

 Fora que ele não se decide. Quer participar das histórias, mas não mergulha de cabeça. Fica ali, à margem. Isso irrita. É um personagem irritante. Capitão Gancho, por exemplo. Ele impõe respeito. Mas um saci... Eu chamaria o Ibama.



Escrito por Índigo às 08h19
[] []





Segunda-feira, 13

Muita roupa para lavar. Casa uma bagunça. Trabalhos atrasados. Geladeira vazia e contratos que preciso enviar pelo correio hoje, sem falta. Fora o encanador e uma revisão. Amanhã eu blogo direito.



Escrito por Índigo às 10h00
[] []





Benefícios de São Paulo

As roupas que uso na minha vida no campo eu jamais, nem amarrada, usaria em São Paulo. E vice-versa. Isso é uma coisa. Outra coisa é que andando pela Vila Madalena, a gente está sempre passando por espelhos, reflexos de vitrine, vidro de carro. Então junte as duas coisas. Roupas mais bem definidas e espelhos. E então eu notei uma barriguinha! Surgiu uma barriguinha em mim, e se não fosse por uma tarde na Vila, talvez eu levasse não sei mais quanto tempo para perceber. Depois, à noite, encontrei uma amiga que comentou sobre o meu cabelo. Quando, que no meio do mato, eu ia encontrar alguém com bom senso de reparar no meu cabelo?!

Não tem como, de vez em quando a gente TEM de dar uma passadinha por aqui. É quase um check-up.



Escrito por Índigo às 10h07
[] []





Hoje em São Paulo

Cada vez que saio daqui é como se estivesse fazendo uma viagem internacional. Não é só fechar a porta e ir. Antes tem de aguar todas as plantas, tirar lixo, botar o lixo na caçamba, pegar tudo que for lixo reciclável, deixar água fresca para os passarinhos, cobrir o sofá da varanda, visitar o vizinho, separar as chaves, pegar as coisas de correio, pegar a lista de compras, separar as caixas de papelão, caçar Valentina que se enfia no telhado, descer a sementeira, ligar a bomba, tirar os vasinhos de cima da pia de fora, e daí, sim, posso sair.

O motivo:

Lançamento do Blônicas 2

Hoje, a partir das 19:30hs
Bar Santa Zoé
Rua Cotoxó , 522- Perdizes

Até lá!



Escrito por Índigo às 07h36
[] []





Je suis une artiste!

Não sei pintar, não desenho nada, não faço crochê, não me dou bem com cerâmica, mas tenho uns faniquitos na ponta dos dedos. Vontade de criar coisas. Tá, escrevo. Mas escrever é limpinho e 110% cerebral. No fim do dia não fico lambuzada de tinta, com resquícios da minha criação espalhados pela casa toda. Não fico cheirando à palavras, precisando colocar o avental de molho e fisicamente exausta. Sinto falta da sujeira da criação. Então, nesse fim de semana, fiz duas coisas que foram justamente isso.

Primeiro, trabalhar com sementeiras. Agora, em vez de comprar mudas, quero fazê-las eu mesma a partir daqueles sachezinhos de sementes. O trabalho consiste em encher os pequenos nichos com terra preparada e daí depositar uma única sementinha por nicho. Daí cobrir com uma fina camada de terra. Uma mistura de tear com pintura em vaso.

Segundo, fiz um pão recheado com frios. Farinha voando pela cozinha toda, a mão grudenta de massa, formas untadas, bolinha de massa dentro de um copo d’água para indicar o tempo. Depois, ao final, sete travessas espalhadas pela cozinha. Em cima da geladeira, na mesa, no balcão, no fogão. Uma mistura de pintura em tela com marcenaria. Uma beleza!



Escrito por Índigo às 09h39
[] []





Tempo bom para escrever

Alguém devia estudar isso, mas eu acho que existe uma relação direta entre o clima e a produção literária de um escritor. Basicamente, quanto mais frio, cinzento e horrível o tempo, melhor. Se nevasse, então... Nossa, se nevasse eu começaria a pensar em termos de séries. Cada história rendendo de cinco a sete livros. Mas se eu morasse na praia, uns micro-contos e olhe lá. Se morasse em Olinda, poesia. No Canadá, romances policiais. Em Nova York, contos longos. Em Dubai, provérbios. Em Oxford, romances históricos com anos de pesquisa. Em Berlin, críticas literárias. Em Bali, fábulas. 

É tudo uma questão climática no final das contas.

 



Escrito por Índigo às 10h15
[] []





O tempo no interior

Vistoria no Detran – 11 minutos

Abertura de firma no cartório – 4 minutos

Entrega de uma encomenda através das lojas Americanas – nunca

Correio – Tempo variável sem previsão possível

Corte de grama – 3 - 5 dias

Envio de uma foto por internet – 15 minutos

Encontrar uma vaga para estacionar na rua principal (em frente ao banco) – 2 - 5 segundos

Secar uma toalha em dia de sol – 30 minutos

Secar uma toalha em tempo molhado – 1 semana

Varrer a frente da casa – 1 hora

Convencer o som a tocar um CD  – 12 - 20 minutos



Escrito por Índigo às 09h13
[] []





Namorandinho

Agora é oficial. Valentina está namorando. Ela disse que eu posso botar no blog. Ele é super gato. Acho que tem algum antepassado siamês, pois tem aquele pelo branco queimado com patas e orelhas de um tom mais escuro. É grandão, mas não chega a ser gordo. De personalidade, super bem educado. Contido, romântico e dedicado. Primeiro eles se encontravam no telhado, mas como Valentina é muito caseira, agora eles tem se encontrado debaixo da mesa da cozinha. Pronto. Já contei demais. Melhor parar por aqui porque depois ela me critica por estar usando sua vida íntima para encher meu blog.

 



Escrito por Índigo às 08h32
[] []



TOPO


 

© Vida no Campo 2009. Blog da Índigo