|
Relatos: Dia 12
Na parte da manhã: o de sempre, com progresso considerável, no entanto. Meio-dia: Costureira, correio, mercado. Na parte da tarde: Negociando valores de um conto porque eu também sou minha própria agente. Noite, entrando para madrugada: Na Mercearia, com amigos escritores, falando não sobre literatura, mas os bastidores e fofocas. Dou graças a Deus por esses amiguinhos. A gente se atura e gosta mesmo uns dos outros. Tenho certeza que seríamos pessoas muito piores se não tivéssemos essa turma. Muuuuuuito piores. Escrito por Índigo às 11h45 [ ]
Relatos: Dia 11
Algum ponto da madrugada: Estou num sítio, sentada numa varanda com Ignácio de Loyola Brandão ao meu lado. Eu, numa cadeira de balanço; ele, numa muretinha. Observamos o pôr-do-sol. Ele pergunta como eu tenho passado. Respondo: “Legal, e você?”. 9:00 da manhã: Escrevendo. A história chega no seu primeiro momento de crise. Oh yes! 11:00 da manhã: Editora me liga e me dá a solução para o original de um livro que eu havia lhe enviado, e a solução é tão brilhante que me faz perceber que o que eu enviei nem era um livro, pra começo de conversa, eram textos soltos. Êêê Loyola... Ele bem que tentou me avisar. 2:00 da tarde: De volta ao australiano, que é um escritor muito, muito bizarro. Definitivamente. Escrito por Índigo às 09h13 [ ]
Relatos: Dia 10
9:00 da manhã: Escrevendo com Valentina no colo. 1:00 da tarde: Entregando notas de pagamento porque eu sou meu próprio motoboy. 2:00 da tarde: Em pânico na Doutor Arnaldo porque, não sei como, meu carro ficou sem gasolina, embora ele continuasse andando. É fantástico. Na verdade eu não estava em pânico, apenas surpresa com a gasolina que sumiu. Mas então percebo que há muito tempo eu não reparava nisso. 3:00 da tarde: Traduzindo o australiano careca. 5:30 da tarde: Lendo a biografia em quadrinhos da Aline Kominsky Crumb, mulher do Crumb. Quando param de desenhar e começam a escrever... meu Deus, como escrevem bem esses cartunistas! A começar pelo Mutarelli. Clique aqui e confira, por favor. Pensando que, na verdade eu não gostaria de saber desenhar, ao contrário do que vinha dizendo minha vida toda. 7:00 da noite: Escrevendo, dessa vez sem Valentina no colo. Aqui vale dizer que esta é uma nova rotina: escrever das 7 às 8. Há um motivo para isso. Agora tenho uma cota de páginas que devo escrever por dia. Na parte da manhã produzo 75% da cota, deixando 25% para a noite. Tem funcionado, o que é surpreendente, pois até pouco tempo atrás eu achava que seria incapaz de escrever literatura à noite. Escrito por Índigo às 08h48 [ ]
Relatos: Dia 9
7:30 da manhã: Trabalhando no novo romance. Não é possível falar muito mais sobre isso. 11:00 da manhã: Terminando a última leitura da tradução. Sim, a última. 1:00 da tarde: No mercadinho comprando areia para Valentina, onde encontro, por uma feliz coincidência, X, que ai.. que é sempre um prazer encontrar, e que me deixa sem saber o que falar. Então falamos umas coisinhas à toa e passo a próxima hora pensando nele. 6:00 da tarde: Cara a cara com um pai de santo que vai jogando os búzios sobre um pano verde limão com fios dourados. Ele cata os que caíram de barriga para baixo e vai contando o meu futuro, assim, como quem conta uma historinha. Como quem escreve um post. 8:00 da noite: No Kung Fu, pulando corda, feliz da vida. 10:00 da noite: Lendo o comentário de um leitor que diz que quer saber o que eu penso, mais do que o que eu faço. Bem, esse é o problema. Não quero ir para uma linha poética, não que meus pensamentos sejam muito poéticos, mas de alguma maneira são, sim. Escrito por Índigo às 09h12 [ ]
Relatos: Dia 8
9:30 da manhã: Acordo cedo para um domingo, o que é muito bom, pois esse era o plano. 10:00 da manhã: Revisando a tradução da autora australiana. Determinada a acabar hoje, de qualquer jeito. 12:30: Cuidando do jardim. É um jardim bem resistente. 2:00 da tarde: Lendo jornal de ontem, mas dá na mesma. 4:00 da tarde: Relendo pela milésima vez a tradução. Percebo que poderia ficar mais quinze dias relendo esse texto. Lembro da palavra “furdúncio”, que sempre me fazia rir, quando criança. Mas acho que ela não existe mais. 8:00 da noite: Organizando coisas: potes de vidro, contas, papéis de rascunho, roupas, livros... e sinto uma enorme satisfação. Ah... a ordem! 9:00 da noite: Imprimo a última correção da tradução, que deixo descansar durante a noite. Resolvo que na manhã seguinte darei uma última lidinha, última mesmo. Escrito por Índigo às 10h04 [ ]
Relatos: Dia 7
10:00 da manhã: Ipanema, Posto 9, retocando meu bronzeado, que andava meio desatualizado. Pensando na pergunta da noite anterior: se eu moraria no Rio. Moraria? Moraria, mas só se não precisasse trabalhar. Eu seria uma excelente dondoca carioca. Excelente mesmo. 3:00 da tarde: Na Biblioteca Nacional, conferindo se estão cuidando direitinho das obras. Aparentemente está tudo sob controle. Tudo trancado em cofres, não permitiram que eu visse nada que me interessava. Então, imagino que está tudo bem guardadinho. 5:00 da tarde: Na Confeitaria Colombo, tomando um café com uma tortinha de limão e pensando sobre minha relação com o chique. As coisas chiques pelo chique não me interessam muito. Mas quando alcançam um grau de chiqueza que beira o excêntrico, ah... daí é fascinante. 9:45 da noite: Sobrevoando Santos porque Cumbica estava congestionado e não dava para a gente descer. Enquanto isso, ao lado, na diagonal e na frente, três bebês choravam como sapos no brejo, intercalando a vez e de repente, do nada, todos juntos, histéricos.
Escrito por Índigo às 10h15 [ ]
Relato: Dia 6 (boletim especial, diretamente do Rio de Janeiro)
9:00 da manhã: Estou voando 12:00: Em Copacabana, com pé na areia e uma água de coco, achando tudo incrível. Eu devo parecer uma argentina. 16:00 Na livraria Travessa, tão charmosa e que eu morria de vontade de conhecer. Lá encontro meus livros em destaque. Foi emocionante. 21:00 No lançamento, onde recebo uma notícia maravilhosa da minha editora. Conheci leitores cariocas. Como é bom quando as pessoas saem do computador e se apresentam. Eu morro de curiosidade de saber quem está aí do outro lado. Depois falo mais sobre isso. Agora tenho só 6 minutos até a tela fechar. 23:00 Bebendo uns chops em Ipanema, ou seria Leblon. Não sei direito. Mas tava ótimo. Agora vou curtir um pouquinho mais de Rio. Escrito por Índigo às 11h18 [ ]
Convite reforçado
Melhor que ler a respeito da minha vida, é participar dela. Você que está aí no Rio, venha tomar uma champanhe comigo e brindar ao “A Maldição da Moleira”.
Amanhã, quarta-feira Horário: 20 horas Onde: Livraria do Unibanco Arteplex Praia do Botafogo, 316 - Botafogo > Escrito por Índigo às 14h36 [ ]
Relatos: Dia 5
9:00 da manhã: Retomei a escrita de um romance que estava temporariamente parado 12:30: Separo jornal, papel, papelão e embalagens de papel, embalagens plásticas e latas, coloco tudo no porta-malas e levo ao centro de reciclagem, coisa que estava para fazer há algumas semanas. Aleluia! 2:00 da tarde : Traduzindo, como sempre 7:30 da noite: Treino de Kung-Fu, onde meus chutes ficam mais poderosos a cada treino. Descobri que, realmente, gosto demais de chutar cabeças. 10:00 da noite: Em casa, lendo Flaubert. Escrito por Índigo às 09h04 [ ]
Relatos: Dia 4
2:30 da tarde: Estou na Livraria da Vila tomando um cafezinho com Márcia e Mário, do Ateliê Caixadagua33. Sobre a mesa estão vários bonequinhos em pé. Entre eles, esta aí da foto, que Márcia fez inspirada em mim. No dia que nos conhecemos eu usava esse modelito. Estou maravilhada de ter uma boneca que sou eu. Tenho planos para ela.
4:00 da tarde: Estou na editora vendo as ilustrações do meu próximo livro: “Um Dálmata Descontrolado”. 5:00 da tarde: Em casa, revisando contos. 8:30 da noite: Ouvindo Ivana reclamar de como, na vida, cometemos sempre os mesmos erros. 3:00 da manhã: Sentada no balcão da Mercearia, ouvindo Marquinho contar como é seu dia, hora a hora.
Escrito por Índigo às 10h03 [ ]
CONVITE para leitores do Rio
Quarta-feira estarei aí para o lançamento do meu “A Maldição da Moleira”. Na ocasião haverá um bate-papo entre o cineasta Philippe Barcinski e eu. Vamos falar sobre a obra de Tim Burton e o meu Moleira. Apareçam! Será divertido. Lançamento do “A Maldição da Moleira” no Rio de Janeiro Dia 19 de setembro – quarta-feira Livraria do Unibanco Arteplex Horário: 20 h Praia do Botafogo, 316 – Botafogo Escrito por Índigo às 16h11 [ ]
Relatos: Dia 3
5:30 da madrugada: Acordo nesse horário absurdo com o final de um conto na cabeça. Fico em dúvida entre deixar a cama e escrever. Faço café e me sento ao computador. 8:30 da manhã: Termino o conto. É um bom conto. Um conto que me assusta. 12:30: Cozinho espinafre com ricota para o almoço. É impressionante como eu cozinho bem. Quem me vê, não diz. E quando digo, não acreditam. 2:00 da tarde: Durmo. 4:00 da tarde: Reviso tradução. Não do australiano de ontem. De outra autora, também australiana. Tenho pensado muito na Austrália. 9:00 da noite: Estou na Mercearia tomando champanhe e comendo pastel de queijo. Isso merece explicação. A champanhe é de um admirador. Desde o começo do ano, assim que piso no bar o garçom me traz uma taça, ou uma garrafa, depende do humor do admirador. Tem noites em que ele manda presentes. O pastel de queijo é meu mesmo. Pra pastel de queijo não precisa explicação. É uma boa imagem do que tem sido 2007: champanhe e pastel de queijo. Escrito por Índigo às 08h30 [ ]
Relatos - Dia 2
11:45 da manhã: Estou no Detran, lendo um livro que não sei se gosto, parada em uma de muitas filas. 13:00 da manhã: Deixo o Detran. Meu carro agora é de São Paulo. Odeio carros. 15:30 da tarde: Estou em casa, trabalhando numa tradução de um escritor australiano. Um romance infanto-juvenil. Pelo texto deduzo que o autor é careca e branco. Ele foi um nerd quando criança. É solteiro. Tem voz esganiçada. Tem barriga de cerveja. 19:00 da noite: Estou numa livraria tomando um café com um amigo e colega de profissão. Ilustrador de livros infantis. Ele vive metade do ano aqui, metade na Inglaterra, igualzinho a Lygia Bojunga. É a vida que eu sonho ter. No fundo da livraria acontece uma vernissage. Entre os convidados está o clone de um ex-namorado. Ele me oferece uma taça de champanhe, mas clone de ex já é demais. Escrito por Índigo às 10h43 [ ]
Relatos - dia 1
10:30 da manhã – Entro no Poupatempo para pegar minha carteira de motorista renovada. Quer dizer, para entregar meus documentos. E eles aceitam. Aleluia! Sou informada que ela fica pronta às 13hs. Almoço num quilo da Sé. Pago R$6 por um prato que na Vila Madalena eu pagaria R$11. Mas o arroz era branco, e não integral, sendo que agora eu só como arroz integral porque no branco eles passam parafina, para ficar mais branco, o que causa câncer. Para matar o tempo vou visitar uma exposição sobre a Elke Maravilha. Descubro que ela é russa. 15:30 – Estou no Paulista Plaza na Alameda Santos. Quer dizer, estou no saguão do flat e anuncio o nome da pessoa que eu quero encontrar. A pessoa que eu quero encontrar manda eu subir para o quarto número X. Eu digo para a recepcionista que não vou subir para quarto nenhum. Ele que desça. Cinco minutos depois a pessoa desce. A pessoa é um editor. Ele quer publicar um livro meu. 18:00 – Tenho a idéia de começar a escrever flashes do meu dia nesse blog. É o que acabo de fazer. Escrito por Índigo às 09h29 [ ]
Estou aqui há uma década
Há dez anos que publico textos na rede. Foi em 1997. Naquela época só existia site. O blog não tinha sido inventado. E você precisava de um programador e um webdesigner para fazer um site. Eu só tinha site porque tinha um namorado que era essas coisas. Depois a tecnologia evoluiu, o namoro terminou e eu pude fazer tudo sozinha. Quer dizer, ainda precisei de ajuda técnica. Mas a essa altura as mulheres passaram a ser programadoras, e eu tinha uma amiga que era isso. Dez anos. Pelo jeito vou terminar o ano com 10 livros publicados. São mais dois lançamentos programados para 2007. Será lindo se der certo. Gosto quando as datas se encaixam assim. Bem, agora tenho de pensar em novas histórias para alimentar esse monstrengo. Ando pensando em dizer a verdade. Minha vida como ela é. Ui! Escrito por Índigo às 08h12 [ ]
The end
O filme estreou e foi um enorme sucesso, para nossa grande surpresa. Jean-Jacques ganhou uma bela grana e pôde voltar a perder dinheiro com filmes de arte. As garotas superpoderosas voltaram a fazer televisão. Winky foi trabalhar num circo. Taz foi fazer psico-drama. Eu resolvi que não podia mais voltar para o Brasil. Certo dia, vagando por Paris, encontrei a sorte, escondidinha debaixo de uma escada, chamando por mim. E assim acaba o Fabuloso Espetáculo dos Bonequinhos Aposentados. C’est finit. Escrito por Índigo às 16h00 [ ]
Intervalo para apresentação do meu novo livro
Sim, mais um. Ele acaba de chegar às livrarias. Tchan-nan! Eis:
“O livro das cartas encantadas” Trata-se de uma troca de cartas entre Branca de Neve, Bela Adormecida e Cinderela. Para escrever esse livro pesquisei antigas versões desses contos. Fui ler as versões de Perrault, Irmão Grimm, e versões até mais antigas. Então reconstruí essas personagens como achei que elas teriam sido, sem romantismo, sem idealizações. Se isso lhe parece familiar é porque em 2003 eu lancei um livro chamado “Caixinha de Madeira”, com essa mesma história. Hã? Explico. Depois que o “Caixinha” saiu, percebi que eu havia me precipitado, o livro não estava como eu queria. Então comecei a escrever tudo de novo, praticamente do zero. Agora, depois de quatro anos, acho que o livro melhorou bastante, ganhou novo título, novas ilustrações e nova editora. Agora você pode encontrá-lo em qualquer livraria. Clique djá PS - Dessa vez não farei noite de autógrafos. Escrito por Índigo às 10h00 [ ]
Très étrange
Comecei a ter sonhos realmente estranhos. Atores decadentes de um passado distante voltavam e interagiam comigo como se fossem pessoas muito próximas. Nas poucas horas de folga eu passeava por Paris, tentando entender por que eu estava ali, fazendo aquilo. Os treinos de Kung Fu estavam acabando comigo. Certo dia, em Montmartre, uma vidente me pegou pela mão e disse que tudo aquilo tinha um propósito. - Quelle? – quis saber. Mas para saber a resposta teria de desembolsar uma grana que não tinha. Jean-Jacques nos dava comida e hospedagem. Cachê, mesmo, só no final.
Escrito por Índigo às 10h26 [ ]
Oh! Um teletubbie no set de filmagem!
Era impressionante a quantidade de atores decadentes que iam parar no set de filmagem de Jean-Jacques. Atores que eu achava que já estavam mortos e enterrados. Foi um susto um dia abrir a porta do meu trailer e dar de cara com Winky. - Winky! Oh my God! Ele me ofereceu um cigarro. - What happened? – perguntei. - It’s a long story. Pobre Winky. A vida não tinha sido boa com ele. Ficamos amigos. Fizemos belas cenas juntos. De sexo, até. Pobre Winky...
Escrito por Índigo às 11h18 [ ]
Lições de Kung Fu
Jean-Jacques era extremamente convincente. Eu cedi. Naquela mesma tarde começamos o trabalho de preparação de atores que consistia basicamente em fazer com que eu aprendesse a lutar Kung Fu. Nunca apanhei tanto na vida. O treinador era um animal. Quando eu gritava que ia ligar para a embaixada do meu país, ele me puxava pelos cabelos e mordia minhas panturrilhas. Jean-Jacques, sentado lá no alto da sua cadeirinha de diretor, dizia para a gente parar de graça.
Escrito por Índigo às 10h53 [ ]
|
||
|
||||||||||||||||||||||||||||
|
