O novo cinema francês

Quando vi aquilo, pensei: foi um erro. Jean-Jacques perguntou o que eu achava.

-        C’est ridicule.

Ele não entendeu o motivo. Respondi que se ele estava pensando em me fazer de garota superpoderosa ruiva, ele podia tirar o cavalinho da chuva. Além do mais, eu pensava que ele fazia filmes de arte. Ele era francês, pelo amor de Deus!

Esse foi meu segundo erro. Ao ouvir a palavra “arte”, Jean-Jacques teve um piti. Disse que não agüentava mais perder dinheiro. Agora a linha era outra. Haveria meninas superpodeoras, sim senhora, e eu seria a ruiva ou não seria nada.

 



Escrito por Índigo às 09h14
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O inesperado pedido de Jean-Jacques

Ontem, depois de anos, recebi um telefonema de Jean-Jacques.

-        Jean! Je ne crois pas!

-        Ma princesse d’amour!

Ele queria que eu voltasse imediatamente para Paris. Ele precisava de mim.

-        Pourquoi? – perguntei.

Porque apenas meu rosto e nenhum outro serviria. Ele tinha uma papel para mim.

-        Oh, Jean... Mas eu envelheci.

Ele disse que uma boa maquiagem resolveria. O papel era meu. Ele me esperava no aeroporto. E desligou.

Desliguei, pensei, liguei para Jack. Disse:

-        Jack, eu preciso fazer isso.

-        Nega... Não brinca comigo!

-        Jack, eu vou.

-        Nega... Óia o que você vai fazer! Eu mato você!

 



Escrito por Índigo às 12h31
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Jean-Jacques


Conheci Jean-Jacques na beira do Sena. Isso foi há muitos anos. Ainda não havia Jack, as crianças, sogra, essa parentaiada toda. Era só eu e a vasta fortuna de uma tia avó suíça que me deixou como única herdeira. Tudo que eu podia fazer era viajar pela Europa, torrando euros. Jean-Jacques era estudante de cinema.  No começo fiquei meio sem graça, mas ele disse para eu continuar fumando, olhando para a Notre Dame. Enquanto ele filmava, declamava coisas irreproduzíveis. Disse que eu fotografava bem. Eu não resisto a um clichê.



Escrito por Índigo às 09h52
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Jodie

 

Com o tempo elas foram ficando mais abusadas. Jodie era uma americana dez anos mais velha que Jiminho. Estava aqui para pesquisar “nossos tipos”, sei lá o que ela queria dizer com isso. Ela era atriz. No meio da tarde começava a chorar enquanto arrancava os próprios cabelos. Jimi ficava olhando como quem observa um bolo no forno. Ele achava que faltava fermento. Eu não me agüentava:

-        Diga pra ela que está bom!

-        Não está. Ela pode fazer melhor que isso.

Jodie começava a arranhar o rosto, socar a cabeça, gritar. Daí, sim, Jimi dizia:

-        Yeah... That´s nice.



Escrito por Índigo às 09h41
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Julie


Certa segunda-feira, abri a porta do quarto do Jimi, toda cantarolante:

“Cadê o pituquinha mais lindo da mamãe? Cadê? Cadê?”

Quando encontrei, em cima da cama do meu filho, uma mulher! Ela grudou contra a parede e se cobriu com um lençol. Ficou embolada feito um fantasma de halloween. Mas o pior foi Jimi. Ele nem se mexeu. Continuou ali deitado, fumando. Pediu para eu trazer um copo d’água. Só nesse dia que percebi que meu pituquinha já era um mocinho. Foi um choque.  



Escrito por Índigo às 09h30
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Jerônimo

 

Meu sogro dava palestras motivacionais. Cobrava mil reais por cabeça. E elas pagavam. Ele dizia para as pessoas sorrirem ao se olharem no espelho, pela manhã. Coisas assim. No começo, quando ele contava sobre suas técnicas, eu dava sorrisinhos simpáticos. Só. Ele queria extrair o que havia de melhor em cada pessoa. De mim, inclusive. Era como um dentista espiritual. Eu perguntava se ele queria um cafezinho. Então eu metia o pó de café dentro da máquina de lavar e voltava com a chave do carro na mão.

-        O pó acabou. Vou comprar. Já volto.

Saía correndo.



Escrito por Índigo às 09h52
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Jin Jin

 

Tinha dias em que eu acordava gritando por Jin Jin. Meia hora depois ela chegava com passinhos rápidos e pedia para todos saírem da frente.

-        Muita balada, né? Jin Jin sabe...

Mandava que eu virasse de costas e subia em cima de mim, um pé na minha cabeça outro na minha lombar. Jarbas tampava os olhos. Jin Jin gritava:

-        IIIIIIIIIIIÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!

Eu sentia os cracks pela coluna inteira. Depois ela me puxava pelos cabelos e por pouco não arrancava minha cabeça fora. Daí, sim, eu podia sair da cama e me locomover normalmente.



Escrito por Índigo às 12h00
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Jilma


Eu gostava de conversar com minha amiga Jilma porque ela me entendia. A família dela também tinha sido exposta. No caso dela, virou um desenho animado. Foram retratados como pessoas retrógradas. O marido dela virou um troglodita que passava o dia quebrando pedra, montado num dinossauro. O roteirista, um demente, inventou um monstrengo que servia como triturador de lixo orgânico. Um monstrengo nojento que morava debaixo da pia! Ouvindo as histórias da Jilma, eu até me sentia melhor. A minha história tinha ido parar no blog de uma escritora desocupada que se autodenominava Odalisca sei lá das quantas. Pelo menos não tinha risco de virar filme, parque temático, capa de caderno...



Escrito por Índigo às 09h15
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Jonas


Jonas foi um antigo namorado da época do colégio. Minha família não gostava muito dele. Mas eu não estava nem aí. Todas as garotas eram secretamente apaixonadas por Jonas. Poucas admitiam. Eu, sim. Namoramos durante um ano. Não tínhamos muito assunto, mas foi legal. Eu gostava de botar uma mini-saia e andar com ele na rua, toda requebrando. Com Jonas ao meu lado eu podia fazer o que bem entendesse.

Gostaria de saber que fim levou Jonas. Difícil imagina-lo num escritório, em horário comercial.



Escrito por Índigo às 09h32
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Reserve djá seu ingresso

Meus queridos:

Não deixe para a última hora para reservar seu ingresso para a palestra sobre Literatura em Quadrinhos no SESC Vila Mariana. É amanhã! E vai ser imperdível. Um bate-papo com os geniais Marcatti, Álvaro de Moya, Fábio Moon e euzinha.


Quadrinistas que fizeram adaptações de clássicos da literatura abordando os aspectos intrínsecos do processo de conversão das obras literárias para a linguagem dos quadrinhos.

Dia 21/08, terça,  às 20 horas
SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 - Fone: 5080-3000

Mediação:  Álvaro de Moya - Jornalista, escritor, chargista, ilustrador, produtor e diretor de cinema e televisão.  Autor de vários livros, entre eles História da História em Quadrinhos e Literatura em Quadrinhos no Brasil .

Marcatti  quadrinista e editor, publicou as Desventuras de Frauzio, Fábulas do Escárnio e Prega, Mariposa e a adaptação do livro A Relíquia de Eça de Queiroz . Ganhador de 4 prêmios HQ Mix.

Índigo  Escritora, publicou A Maldição da Moleira, Como Casar com André Martins, Perdendo Perninhas, Saga Animal, entre outros. Fez a adaptação para HQ de Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida.

Fábio Moon  Formado em artes plásticas, trabalha com o Irmão Gabriel Bá e juntos publicam O Girassol e a Lua e 10 pãezinhos. Ganhadores troféus HQ Mix, Angelo Agostini e o Xeric Foudation Grant. Fez a adaptação para HQ do O Alienista de Machado de Assis.

R$ 6,00 (usuário inscrito), R$ 4,00 (a partir de 60 anos e estudantes)
e R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).



Escrito por Índigo às 11h06
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Jaime

 

Jaime entrava pela porta da frente com sua maleta de ferramentas e gritava assim:

-        Ô de casa!

Tirava um radinho de pilha, pedia jornal velho para forrar o chão e pronto. Enquanto eu explicava os problemas, ele sorria e acenava que sim com a cabeça:

-        Sei... Tá. Tá. Sei. Sim senhora. Certo. Tá.

Então eu ia cuidar da vida e deixava ele lá, consertando as coisas. No final do dia ele gritava:

-        Ô dona! Venha ver!

Ele abria torneiras e dava um sorrisão:

-        Óia agora que beleza!

Ligava a máquina de lavar:

-        Paradinha. Não pula mais.

Ia embora todo orgulhoso de um trabalho bem feito. Eu tinha uma certa inveja dessa felicidade eficiente.

 



Escrito por Índigo às 09h50
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Juju

 

Minha amiga Juju teve muita dificuldade para aceitar a idade. Eu dizia para ela:

-        Juju, pelo amor de Deus, você não tem mais idade para usar vestido de babado.

Ela fazia cara feia, dizia que eu estava com inveja.

-        Pelo menos tire essas maria-chiquinhas!

-        Eu me sinto bem assim.

Quarenta anos e maria-chiquinha na cabeça...
Quando a Hebe Camargo apareceu na televisão de mini-saia e bota, com um pirulito na boca, Juju me telefonou eufórica, no meio da madrugada. Uma semana depois a Vera Fisher fez duas trancinhas nos cabelos e foi pra praia, toda toda. Eu entreguei os pontos.

 



Escrito por Índigo às 10h24
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Convite

Se você gosta de literatura em quadrinhos, anote na sua agenda!

Um bate-papo com: Álvaro de Moya, Marcatti, Fábio Moon e eu.


Quadrinistas que fizeram adaptações de clássicos da literatura abordando os aspectos intrínsecos do processo de conversão das obras literárias para a linguagem dos quadrinhos.

Dia 21/08, terça,  às 20 horas
SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 - Fone: 5080-3000

Mediação:  Álvaro de Moya - Jornalista, escritor, chargista, ilustrador, produtor e diretor de cinema e televisão.  Autor de vários livros, entre eles História da História em Quadrinhos e Literatura em Quadrinhos no Brasil .

Marcatti  quadrinista e editor, publicou as Desventuras de Frauzio, Fábulas do Escárnio e Prega, Mariposa e a adaptação do livro A Relíquia de Eça de Queiroz . Ganhador de 4 prêmios HQ Mix.

Índigo  Escritora, publicou A Maldição da Moleira, Como Casar com André Martins, Perdendo Perninhas, Saga Animal, entre outros. Fez a adaptação para HQ de Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida.

Fábio Moon  Formado em artes plásticas, trabalha com o Irmão Gabriel Bá e juntos publicam O Girassol e a Lua e 10 pãezinhos. Ganhadores troféus HQ Mix, Angelo Agostini e o Xeric Foudation Grant. Fez a adaptação para HQ do O Alienista de Machado de Assis.

R$ 6,00 (usuário inscrito), R$ 4,00 (a partir de 60 anos e estudantes)
e R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).



Escrito por Índigo às 09h28
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Jung Yo Sung

Tenho saudades da minha fase budista. Jung mandava Jarbas arrastar os móveis e botava todo mundo sentado em roda no meio da sala. Ele mandava a gente calar a boca e respirar.
-        Respirar! – ele gritava.
Era o último grito. A gente ficava um tempão assim. Era para ficar de olhos fechados. Mas eu abria, claro. Era a única oportunidade de ver minha família calminha. Uma vez peguei o Jung levitando. Estava a uns vinte centímetros acima do tapete, todo pimpão. No final da sessão ele distribuía bolinhos de feijão doce cor de rosa.

 



Escrito por Índigo às 09h14
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Jânio genial

Jânio era um pequeno político no qual votávamos.  Quando o vi pela primeira vez, perguntei para Jack:

-        Jack, tem certeza que vale a pena? Tão miudinho...

Eu achava que ninguém ia levá-lo a sério. Mas Jack disse que era para eu votar e ver. Votei. Foi incrível! Janinho foi que foi, de eleição em eleição, até que chegou no senado por um estado aí, acho que Ceará. Algo assim. Pra nós tem sido ótimo. É como ter um médico na família.

 



Escrito por Índigo às 09h16
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Juscelino e a ginástica crua

 

Juscelino não era desses personal trainers moderninhos. Ele usava métodos tradicionais. Sou um pouco preguiçosa para esse negócio de ginástica, então admito que comigo tinha de ser assim. Começávamos a aula com uma corrida. Era eu correndo dele. Tentando escapar. Mas ele sempre me agarrava. Amarrava meus braços numa prancha e botava pesos nas minhas pernas. Enquanto eu não fizesse as seqüências, ele não me soltava. No abdominal era a mesma coisa. Ele amarrava uma corda no meu pescoço. Se eu não me erguesse por vontade própria ele me enforcava. Contando assim parece crime humanitário, mas eu não me importava.

 

 



Escrito por Índigo às 10h51
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Janete, queridíssima:

Janete escrevia novelas para a Globo. Para a Globo! Eu tinha muito orgulho dessa minha prima. Ela usava chapéus incríveis. Então, quando ela pediu para passar uma temporada aqui em casa, claro que concordei. Logo de manhã eu a encontrava no balcão da cozinha, com seu laptop, teclando em pé feito uma desvairada. Janete só escrevia em pé. Martelava sem parar naquele teclado, das sete da manhã ao meio-dia. Pedia que continuássemos nossas vidas como se ela não estivesse ali. Nove meses depois, na estréia de “Coração de Mãe” eu me debulhei de chorar. Sim, ela havia captado a essência da nossa família. Minha única frustração era que, na rua, as pessoas não me reconheciam como a megera da Olga Fontana.

 



Escrito por Índigo às 11h05
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O Jacaré de Jack

Jack teve sua época de pescaria. Nos fins de semana ele pegava seu helicóptero e se mandava para o Pantanal. Eu desejava boa sorte e me enfiava num spa que também sou filha de Deus. Claro que depois de poucas semanas Jack não agüentava mais aquela mosquitaiada dos infernos. A fase passou e meu marido voltou para sua espreguiçadeira, ao lado da piscina. Dessa época restou esse jacaré que Jack pescou. Mandamos empalhar, construímos uma ilhinha no centro da piscina e botamos ele lá. As visitas adoram.

 

 



Escrito por Índigo às 10h50
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Joshua


Levei anos para encontrar um jardineiro à altura das minhas hortênsias. Joshua falava pouco português. Mesmo assim nos comunicávamos perfeitamente bem. Boa parte era por telepatia. Grande Joshua... Ele morava aqui mesmo, nunca soube onde exatamente. Em algum lugar entre o chorão e o canteiro de bromélias. De vez em quando ele desaparecia, mas o jardim, de alguma maneira, estava sempre impecável. Talvez tivesse ajudantes. Não sei. Acertávamos as contas todo dia 15. Ele dava uma risadinha sinistra e saía saltitando.



Escrito por Índigo às 10h59
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SOS UOL!

Se tem alguém do UOL lendo esse blog, por favor, socorro. O sistema de vocês está uma *&*(#@. Hoje passei 3 horas tentando blogar.



Escrito por Índigo às 10h45
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Jezebel


Eu jurava que depois da morte as pessoas deixariam de ter desejos sexuais. Mas não é assim que funciona. A prova disso foi Jezebel. De qualquer lugar da casa você podia ouvir seus gemidos. Ela aparecia no meio da madrugada, normalmente flutuando no corredor. Ficava parada na porta do quarto do Jimi, querendo entrar. No começo, claro, nossa reação era de medo. Mas depois aquilo ficou insuportável. Chamei pai Jurandir, que cobrou mil dólares e pediu para passarmos a semana num hotel. Ficou sozinho na casa. Não quero nem saber o que ele fez, mas Jezebel nunca mais apareceu.



Escrito por Índigo às 10h36
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Juvêncio e Jandira

 

 

Tinha uma parte da família de Jack que... Ai... Quando eles chegavam, Jack mudava de sotaque e abria garrafas de pinga que eu nem sabia que tínhamos em casa. Dormiam com rifles ao lado da cama. Na hora das refeições eu tinha de pedir, por gentileza, para tirarem os revólveres de cima da mesa. Fora as garrafas de pimenta que eles traziam. Jarbas queria morrer com aquilo. Ai... Não gosto nem de lembrar.



Escrito por Índigo às 09h58
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Juliano e Janaína

 

Juliano e Janaína eram um velho casal de amigos com modos bastante exóticos. Eram adeptos à medicina natural. No Natal de 2001 Juliano enfrentou bravamente uma pedra no rim bebendo doze litros de água num período de três horas. Janaína conta que a parte mais difícil foi quando teve de amordaçá-lo porque os vizinhos não suportavam mais seus urros, no meio da ceia natalina. Deve ter sido mesmo desagradável. Há anos vinha dizendo que achava que os dois estavam ficando meio radicais demais. Claro que eles nem me ouviam. Até que um dia eles foram fazer um tratamento médico no Acre, à base de veneno de sapo. Eu disse que aquilo era uma loucura. Sim, nas primeiras semanas eles iam sentir um bem-estar tremendo. Mas depois a pessoa fica com cara de sapo. Mais uma vez, nem deram atenção. Deu no que deu.



Escrito por Índigo às 10h11
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Jujubinha do Juquinha


Juquinha tinha o péssimo hábito de trazer bichos abandonados para casa. Ele dizia que tinha dó. Foi assim que trouxe Jujubinha, um vira-lata todo cheio de gracinhas. Parecia cachorro de seriado americano. Buscava chinelos, encontrava óculos perdidos, comprava jornal na banca, adorava se exibir. As visitas ficavam deslumbradas. Mas eu sabia o que estava por vir. Quando começaram as aulas, Juquinha voltou para o colégio interno e Jujubinha ficou. Não deu nem três dias e Jujubinha virou petisco do Jáspion. Não sobrou nenhum ossinho pra contar história.



Escrito por Índigo às 09h55
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Juquinha


Chegou a hora de falar do meu terceiro filho. Ele estudava num colégio interno. Vinha nos visitar duas vezes por ano, nas férias de julho e no Natal. Era gêmeo de Jimi, embora isso fosse apenas uma casualidade. Não me perguntem como James pegou o apelido de Juquinha, mas era isso. Ele era o Juquinha. Um menino sem-graça de dar dó. Vinha, pendurava suas roupas no armário, sentava-se e nos contava sobre seu excelente desempenho escolar. Daí pedia licença e ia estudar piano. Não tenho muito o que dizer sobre ele.



Escrito por Índigo às 08h52
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Tia Josefa


Todo ano ela vinha passar o mês de julho – inteiro - conosco. Trazia uma mala de rodinhas cheia xales de lã e três sacolas de comida. Um pote de tapeware encaixado justinho em cima do outro. Vinha lasanha, nhoque, rosebeef, bolo de prestígio, pão de queijo congelado, brigadeiros, empadinhas, canjica, feijoada, bolo de carne. Jarbas tinha de esvaziar o freezer um mês antes. Ela também trazia sucos especiais e sua própria xícara. Em menos de meia-hora estava em casa. Botava a televisão em canais que nem sabíamos que existiam. Trazia seus CDs de música sertaneja e cantava junto. E eu ainda me pegava perguntando:

“Tia Josefa, a senhora está bem acomodada?”

Sentada na poltrona do Jack, tia Josefa esfregava os pés sobre as costas do Júpiter. Dizia para eu não me preocupar. Durante os meses de julho eu me sentia como uma intrusa na minha própria casa.



Escrito por Índigo às 10h54
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