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Santos voadores
Ontem, por conta deste blog, esteve aqui a TV Record. Estavam fazendo uma matéria sobre blogueiros e queriam meu depoimento. Acho que por não ter televisão em casa, eu sempre me espanto quando deparo com esse tipo de mídia. Minha reclusão de Santo Onofre foi pro brejo no minuto em que entraram aqui. Era uma quantidade de equipamento, cabos, luzes, que tive a sensação que fariam um documentário sobre a minha vida. Pediram para eu fingir que nada estava acontecendo. Então abri uma tela de word e escrevi um monte de adfa mnl asdmnmn fal sdf m mnmnu alsnlfa. Coisas assim. Daí pediram para eu fingir que era um dia normal, que eu acordava, abria a geladeira, fotografava, escolhia um santo, fotografava, descarregava as imagens no computador e escrevia o texto. Felizmente não pediram para eu botar pijama. Num dia normal tudo isso é feito ainda de pijama. Nessa hora bateu um sopro divino e todos os santos saíram voando da geladeira. Se eu fosse mais intuitiva, mandava a TV Record sair da minha casa, por motivos óbvios. Mas eles eram muito gentis. Imediatamente começaram a recolher os santinhos e não fizeram nenhum comentário gozador. E eu, afinal, não sou tão intuitiva. Yo soy una puerta.
Por fora:
Por dentro: Escrito por Índigo às 10h39 [ ]
A geladeira do Onofre
Santo Onofre viveu como eremita, no meio do deserto, alimentando-se de sabe Deus o que, durante 70 anos. E sobreviveu. Quando o encontraram, ele ainda conseguia se comunicar e até falar coisa com coisa. Tirando a barba, eu estou na mesma situação. No meu caso há apenas 3 dias, mas já começo a sentir os benefícios. Para a produção literária, não tem coisa melhor.
Por fora:
Por dentro: Escrito por Índigo às 09h24 [ ]
A volta da geladeira
Há um motivo para tanta fartura na minha geladeira. Agora, até o dia 1 de janeiro, ou eu faço minha própria comida ou passo fome. Todo o comércio está fechado aqui na Vila. Os quilos não abrem, nem as lojas, academias, bares, papelaria, a fornecedora de tinta para cartucho, mercadinho, nada. Vivo numa cidade abandonada. É o preço a pagar por viver fora de época. Enquanto a cidade estava um caos, eu estava nas cachoeiras da Chapada. Agora que todos estão nas cachoeiras da vida, eu fico aqui, trabalhando de manhã até a noite, botando trabalho em dia. Nem a vizinha de cima está brigando com a filha. Nem o papagaio dos hippies da casa ao lado grita mais. Nada. Tudo silêncio. Pois eu não queria paz para escrever? Eis a paz, e é assustadora.
Por fora:
Por dentro: Escrito por Índigo às 09h19 [ ]
A gota e as seitas
Lá no alto de uma montanha de Alto Paraíso tem uma gota. E de domingo de manhã, se você é um esotérico, em vez de ir à missa, é lá que você vai. Então eu fui. Hoje em dia esta é a única gota em atividade. As outras construções feitas nesse formato estão abandonadas, assim como as casinhas em forma de iglu, ou de moradia smurf. Pertenciam às seitas malucas que estiveram por lá no início da década. Não sobrou uma. É difícil manter uma seita, ainda mais as malucas. Mas esta gota sobreviveu. É o espaço Kaliandra, onde Sampatti toca instrumentos raros para quem aparecer: cítara é o mais normalzinho. A gente senta em roda, fecha os olhos e ela começa. É melhor que Hoppi Hari. Teve uma hora em que eu jurava que um terremoto estava destruindo o universo. Abri os olhos. Era um tambor xamânico. E quando ela cantava e dançava, sua voz ia para um canto enquanto o som da flauta ia para outro. Doido. No final, ela disse que a gente podia cantar, se quisesse, para testar os efeitos. Eu cantei um bocadinho e entendi tudo. A construção de gota (repare bem na foto) é na verdade uma caixa de ressonância (pense em templos indianos). A minha voz cresceu feito uma tromba d’água lá dentro. E, se os esotéricos me permitem um palpite, acho que foi esse um dos motivos do fracasso das seitas. Dentro de uma casa-gota qualquer “bom dia” vira uma mensagem de Deus!
Escrito por Índigo às 09h45 [ ]
Comunicação sutil
Como era época de tromba d’água, eu andava horas e horas sem encontrar uma alma viva, humana. E apesar dos boatos sobre a robusta população de gnomos, não encontrei nenhum. Se bem que... na trilha para Almécegas 1, encontrei isto:
Como resposta, deixei isto: Escrito por Índigo às 10h25 [ ]
Diários da motocicleta
Algumas coisas eu devia só narrar, pois agora, vendo as fotos, não vi o que vi lá. Essa estrada de terra, por exemplo. Por algum efeito de fotografia, sumiram os buracos enormes, o vendaval que quase fazia a gente sair voando pelos ares, os bois que passavam correndo no meio da pista, os lobos (sim, lobos) ou coyotes, os gaviões que quase se chocavam contra meu capacete.
E depois tem essa, o Jardim de Maytrea. É mais do que um meio de mato, como pode parecer nesta foto. Dizem que se você for sensível, esse é um lugar de cura natural. Se eu fosse sensível, ao descer da moto eu já ia sentir a vibração do solo e zapt, eu sentiria correntes energéticas atravessando meu corpo e voltaria nova em folha. Fiquei uma boa meia-hora esperando que alguma coisa acontecesse: redução de miopia seria bem legal. Pensei que esta planta esquisita (verde clarinho), em pé no canto esquerdo da foto fosse dar uma reboladinha. Mas ela achou que eu não merecia. Escrito por Índigo às 13h28 [ ]
Trombas d’água
- Jura que você vai pra Chapada? - Eu vou, ué. - Mas agora não é época de ir pra Chapada! - Por que não? - Porque é época de chuva. Ninguém vai pra Chapada em dezembro. Eu bem que tinha achado que a pousada estava cobrando muito barato. - Ah, o máximo que pode acontecer é eu me molhar. - Tá louca? Tem as trombas d’água! Tromba d’água é um fenômeno natural que, se ensinaram na escola, eu não prestei atenção. Você está numa cachoeira e de repente, do nada, o volume de água que era de X, vira 20X. Isso em questão de segundos. Mesmo se você estiver num lugar ensolarado, o problema é que lá na cabeceira do rio choveu. E a coisa vem vindo... Nos primeiros dias eu não entrava na água, com medo de um efeito hollywoodiano. Água rolando em minha direção feito um dragão alado, engolindo tudo no caminho. Daria belas fotos, caso eu sobrevivesse. Então fica assim. Fico devendo a foto das trombas que não vi, mas pelo menos estou aqui. Pode ser?
Escrito por Índigo às 10h12 [ ]
Álbum de viagem – o lançamento
No entanto, enquanto isto, na Academia de Tênis Resort acontecia um congresso para educadores de todo o Brasil, e no meio deste congresso, o lançamento da coleção Literatura para Todos. E é aí que entra meu “Cobras em Compota”, agora já lançado e na estrada. Ontem recebi um email de um leitor de São Luis do Maranhão, que já leu! Este livro, por ser uma publicação do Ministério da Educação, não será comercializado. Vai direto para bibliotecas e salas de aula do programa de Educação de Jovens Adultos. Esta é a idéia: fazer o livro circular e muito. E foi emocionante ver aquele tanto de gente com meu livro na mão, lendo e comentando. E não eram amigos, família, eram professores que vão usá-lo com seus alunos. Mais emocionante foi ver a quantidade enorme de pessoas que se comprometeram com esse projeto e o entusiasmo para que dê certo. E acredite, são burocratas – este é o termo técnico, não pejorativo. São funcionários do governo que estão lá, quase invisíveis, e fazendo um trabalho fantástico, que a mídia não noticia, nem dá bola. Gente como o Tancredo, o Timothy, a Thaís, a Ira Maciel – uma consultora pedagógica genial. E dessa vez, vendo uma equipe tão competente, o ré-lou foi para mim, para eu parar de generalizar e perceber que existem coisas ótimas no governo. Pena que a gente praticamente não vê.
Escrito por Índigo às 09h01 [ ]
Álbum de viagem
Invadir o cercadinho da árvore de Natal do Parque do Ibirapuera é infinitamente mais difícil do que subir a rampa do congresso às duas da manhã. A árvore do Kassab está cercada de viaturas com policiais armados. No prédio do Congresso, nem um único guardinha. Nem um flanelinha. É por isso que depois de uma noite no Beirute (o Mercearia de Brasília) você pode subir na rampa e ficar gritando: “Hello! Rélou-ou!” – e nada acontece. É por isso que eles se dão aumentos de 91%. Rélou-ou! “Rélou-ou!” – e nada acontece.
Escrito por Índigo às 10h57 [ ]
De volta e matando a saudade
De volta à vida de escritora. Hoje, às 20hs, vou me apresentar lá no Espaço Barco Virgílio, um espaço multimídia do Gabriel Pinheiro, aquele ator lindinho e brilhante do Cemitério de Automóveis. Foi assim, eu estava na Chapada, saindo de uma cachoeira, quando o Gabriel ligou no meu celular me convidando para ir lá hoje, ler uns contos. Surreal. Bem, agora estou de volta ao meu computador e logo mais estarei lá. Também participam hoje: Marcelino Freire – 18:30 Ivana Arruda Leite – 19:00 Eu – 20h Mário Bortolotto – não sei que horas E muito, muito mais. Onde: R. Dr. Virgilio de Carvalho Pinto 422 - São Paulo Te vejo lá Escrito por Índigo às 11h12 [ ]
Snif
Amanhã volto para São Paulo. Volto? Humpf... Volto. Escrito por Índigo às 16h38 [ ]
A organização dos pensamentos
A organização dos pensamentos Eu sou a turista da cidade. A única. E como de manhã tem chovido, em vez de ir para o meio do mato eu fico por aqui, conversando com os moradores. Acho que mais 2 ou 3 e posso dizer que já conheci todos, ou pelo menos os mais notórios. É uma gente muito inspiradora. Pena que não dão 73. Caso desse... Ontem conheci o Vale da Lua, um lugar, como diz o nome – lunático. Dá pra morrer em vários pontos. A galera que conheci em Brasília me contou casos e mais casos de amigos que foram e não voltaram. Eu sobrevivi. Só machuquei o cotovelo, que dói, mas dá pra digitar. Agorinha mesmo parou de chover, mas faz frio. Estou entre ir para a cachoeira Cristal ou passar o resto do dia na rede. Trouxe “O Marido” da Lyvia Garcia-Rosa. Fora isso, entre uma leitura e outra, boto os pensamentos no lugar. Que dúvida cruel... PS – Araras azuis cruzando o céu começa a ser coisa banal Escrito por Índigo às 11h35 [ ]
Turismo hightech
Descobri o serviço de mototaxi do cerrado. Subo numa garupa de uma moto capenga e lá vamos nós, numas trilhas de terra levantando poeira planalto afora, até chegar nos paraísos ecológicos. Chegando lá, dispenso o motoqueiro. Passo o dia nas cachoeiras. Quando quero ir embora, ligo meu celular e o mototaxi vem me buscar. A galera do trecking deve achar que sou uma aberração da natureza. Voltam a pé, com suas mochilas com estoque d´água, enquanto eu, feito uma Penélope charmosa, visto meu capacete e bye bye. (e tudo isso por R$5) E por conta disso tenho tempo de postar no meu blog, trocar idéia com os poucos esotéricos que resistem bravamente. Depois falo mais sobre os místicos sobreviventes. O sol está saindo e eu tenho planos. Escrito por Índigo às 12h31 [ ]
Não volto mais
Aqui em Brasília, tudo muito tranqüilo no lindo resort onde estou hospedada. Cerveja gelada, sol e piscina. Já no aeroporto... Caos absoluto. As pessoas não conseguem sair de Brasília. Vão para o aeroporto e ficam lá. Assim, resolvi que não vou voltar mais. É isso. Vou para a Chapada. E se algum dia os aviões voltarem a voar, daí eu volto. beijinhos Escrito por Índigo às 09h28 [ ]
Notícias de Brasília
Meu anjo da guarda anda poderoso. Comigo, nenhum atraso. Meu vôo saiu na hora, chegou na hora. Tudo pontual e organizado, do jeito que eu gosto. Já estou instalada e conectada. Parece que depois do meu vôo começou caos novamente no aeroporto. Mas até aí, eu já estava aqui, no meu quarto com vista para a piscina. Ah, e tem Internet grátis! PS – Já vi o livro e ficou a coisa mais linda! PS 2 – Vou lá, curtir as milhares de coisas que estão rolando por aqui. Escrito por Índigo às 13h51 [ ]
Brasília, lá vou eu!
Amanhã viajo para Brasília para o lançamento do “Cobras em Compota”, aquele que foi premiado no concurso Literatura para Todos, aquele dos 300 mil exemplares. Vai ser lá no Ministério da Educação e, infelizmente, não vai ser aberto ao público. Se fosse, eu convidaria vocês aí de Brasília. Mas pelo menos vai ter gente: toneladas de educadores, bibliotecários, o povo do próprio ministério e políticos, aos bandos. Na volta conto os bastidores da coisa toda. Até a semana que vem! PS - Ah, sim, sobre modelito: nada de salto alto, nada de banana na cabeça e maquiagem derretendo. Vou do jeito que sou e seja o que Deus quiser. Escrito por Índigo às 08h38 [ ]
Atenção: este blog é premiado.
Eu nem sabia que eu estava concorrendo, mas estava e ganhei. Quer dizer, eu não ganhei nada. Quem ganhou foi a designer deste site, a amiga e velha companheira de criação... tchan nan nan nan: Mônica Monteiro! Sim, ela recebe o prêmio Spoiler de Blog, na categoria Melhor Direção de Arte e Template. Eu achei muito justo, pois esse blog é lindo mesmo, fazer o quê... Veja todos os ganhadores do 4º Prêmio Spoiler de Cinema e Blog Escrito por Índigo às 08h51 [ ]
Escrevendo discurso, ainda
“Senhoras e senhores, leitores, visitantes, amigos, parentes e fãs, bom dia. Hoje eu gostaria de agradecer a todos vocês pela companhia durante todo o ano de 2006. O que seria deste blog sem as visitas diárias? O que seria da minha escrita sem meus leitores? O que seria destes posts sem os comentários? Escrever é uma rua de duas mãos. Sim, ocasionalmente temos alguns momentos de glamour, mas o que são esses breves momentos perto da aridez cáustica que é a vida de uma escritora? Sozinha, isolada, descalça e com a geladeira vazia, diariamente eu me arrastei até este blog, dia após dia, há mais de um ano. Para que, eu pergunto? Para a construção desta rua de duas mãos. Por que de que adianta vocês passarem por aqui se eu não ofereço atrações? Eu lhes pergunto. Vocês dirigem por ruas abandonadas? Não, não dirigem. Leitores querem luzes, asfalto, semáforo e um lugar feliz como destino: uma pracinha, um bar, um boteco, quem sou eu para dizer. Não, não tenham pena de mim. Enquanto eu tiver saúde e computador, e luz elétrica e dinheiro para pagar o UOL, vocês terão sempre um texto inédito, feito de coração, para cada um de vocês. Senhoras e senhores, leitores, amigos e Roberto Moreno, meus sinceros agradecimentos.” Escrito por Índigo às 09h39 [ ]
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