O fim do marasmo
Funcionou. Ela conseguiu o sistema de satélite, que será instalado nos próximos dias (não se sabe quantos). Assim, a escritora resolveu dar um basta no visual “vida no campo” desse blog. Em breve, ela promete um novo visual e – melhor – voltar ao ritmo de escrita diária. A solução se deu através de um contrato direto com a empresa de satélite. Na sua imaginação, ela se vê navegando pela estratosfera cada vez que ligar seu computador, a partir do dia 10 de maio. Aguardem...
Escrito por Índigo às 09h41
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Leãozinho
Abatida por uma gripe, a escritora vai à cidadezinha comprar remédios. Passa na casa de uma amiga que lhe ensina a posição do leão, da Yoga. Jura de pé junto que funciona. A pessoa deve ficar de joelhos e sibilar durante 30 segundos, tentando encostar a ponta da língua no queixo. A escritora, mole e espirrando, promete que quando chegar em casa fará o leão. Mas antes vai comprar uns remédios poderosos. Enquanto isso o satélite não dá sinal de vida. O marido já fala em chamar um caminhão de mudança e voltarem pra civilização.
Escrito por Índigo às 12h48
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Acordando pra Jesus (finalmente)
Depois de três anos de vida idílica no paraíso, ela vira para ele e diz que não aguenta mais.
- Eu preciso de internet. Preciso – reforça a escritora.
Ele, que ultimamente tem passado mais tempo em São Paulo que no paraíso idílico, justamente porque ele também precisa de internet, olha para ela como quem diz: “Só agora ela percebeu?”. Mas ele é educado, e responde:
- Vamos correr atrás disso então.
O casal resolve estabelecer uma data, 15 de abril. Se não conseguirem uma conexão decente até esse dia, vão fazer o impensável. Deixarão a vida no campo. Voltarão para a realidade. Faltando quatro dias para a data fatídica, ela entra em contato com uma empresa de satélites. Discute a possibilidade do satélite emitir um raio que solucionará todos os problemas do casal. Aguardem cenas dos próximos capítulos.
Escrito por Índigo às 10h14
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A síndrome da mão alheia
Em diversas ocasiões ela se perguntou: será que escrevo no meu blog sobre essa fase batuques? Achou melhor não porque, na verdade, era um assunto que ainda não havia virado “assunto”. Dizer o quê?
Mas hoje, durante sua aula semanal, aconteceu algo que a deixou desconcertada. De repente, do nada, ela percebeu que suas mãos adquiriram vida própria. No meio do batuque ela pensou – coisa que já não devia estar fazendo, o certo é não pensar – mas ela pensou e ficou em dúvida sobre as notas. Só que, surpreendentemente, suas mãos estavam fazendo o certo. Foi algo do tipo, a mente questionando enquanto o corpo fazia por si só. Era a inteligência do corpo em ação, ignorando o comando central. E nesse momento ela tentou influenciar na posição da mão e.... não conseguiu, pois a mão não parava. Só parou quando seu professor fez a chamada de encerramento. Foi uma psicografia musical. Agora, claro, a escritora começa a considerar um futuro em que essas mesmas mãos se animem e comecem a fazer o mesmo no teclado.
Escrito por Índigo às 19h51
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De passarinho pra dinossauro
Finalmente ela está vivendo a rotina que sempre sonhou. Deixou as traduções de lado e agora trabalha somente em seus próprios livros. Na sua imaginação, no dia em que isso acontecesse ela passaria a ter muito tempo livre, afinal, ela não escreve taaaanto assim. Ela imaginava que à tardezinha ela iria para a cozinha fazer tortas. E de manhã faria uma sessão de yoga, que nem as mulheres das fotografias das caixas de cereal.
Ontem, no entanto, no seu segundo dia de escritora em tempo integral ela levou um susto ao perceber que eram sete da noite e ela ainda estava batendo cabeça com um texto da sua própria autoria. Foi bom. É assim que ela vai aprender.
Meia-hora depois, a escritora abriu seus e-mails e encontrou uma oferta de tradução. Não recusou na hora. Antes entrou no site do banco para conferir o extrato. Resolveu arriscar mais um pouco. Hoje de manhã, antes das 8 já estava trabalhando num conto, fazendo ajustes de personagem. Nesse caso, transformando um passarinho num dinossauro. Ao meio-dia pensou melhor e alterou para uma fênix. E assim vai.
Escrito por Índigo às 14h40
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Sérios problemas de identidade
Hoje a autora voltou a si e, perplexa, percebeu que nos últimos posts ela corrompeu seu próprio estilo e se esqueceu da sua voz narrativa na terceira pessoa. Talvez tenha sido o velho hábito de viver dentro do próprio corpo e de ser quem é. Aconteceu naturalmente, como que numa amnésia às avessas, em que o peso da identidade puxou seu texto literário para a dura e pobre realidade da sua vidinha mundana. Coitada. Agora ela volta ao projeto inicial, um pouco constrangida, é claro, mas disposta a seguir em frente.
No momento ela se encontra em São Paulo por uma série de motivos. O principal deles é que seu carro está preso numa oficina mecânica. Seu lado “escritora” insiste em dizer que não, que ela está em São Paulo porque agora, uma vez por semana ela virá para a cidade grande porque sente falta das livrarias, dos cinemas e de conversar com seres humanos. Vamos ver até quando dura essa fase civilizada. Nós sabemos que no fundo ela tem preguiça de pegar estrada e, apesar de todo esse belo discurso sócio-cultural, ela se obriga a vir, por medo de estar virando um grunhento bicho do mato.
Escrito por Índigo às 11h33
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Anda logo
Agora estou num canto, numa sala, pensando comigo mesma: “Hoje é dia de blogar”, e só por isso estou aqui, tentando escrever. O problema é o tanto de gente falando à minha volta, dizendo para eu andar logo. E nessas circunstâncias, lamento, mas não tenho como escrever. A boa notícia é que a partir de quarta-feira minha vida muda radicalmente. Entrego uma tradução e a partir de então terei todo o tempo do MUNDO para escrever. Bem, paro por aqui porque, de novo, estão me pressionando.
Escrito por Índigo às 16h40
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Eu, muito orgulhosa de mim.
Situação: estou sozinha em casa e quero tomar banho. Então espero a trovoada amainar e vou ligar a bomba. Desço atééééééé lá embaixo para ver se está saindo água. Não está. Um ano atrás, bastava isso e eu já não saberia o que fazer. Agora eu confiro as emendas da mangueira. Depois abro a caixa de força e confiro se caiu alguma chave. Executo testes na bomba de cima. Subo e vejo o filtro. Abro as tampas dos reservatórios e avalio o nível de água. Então confiro novamente o interruptor, dando umas cutucadas. Eliminada todas as hipóteses, chego à conclusão que deu curto na bomba. Abro a tampa do poço, puxo a bomba, boto num carrinho de construção e levo até o carro. Vou para a cidade e procuro a única pessoa que sabe trabalhar com esse tipo de coisa. Enquanto o homem trabalha vou para a manicure e faço as unhas. Quarenta minutos depois pego a bomba de volta e volto pra casa. Tudo sozinha. Quando marido voltar já está tudo resolvido, e eu com as unhas feitas. Voilá!
Escrito por Índigo às 14h33
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