Mais algumas considerações
Branca de Neve é Mickey Mouse, eterna, institucional, onipresente.
Cinderela é Pato Donald, sofrida, injustiçada, aquém do que poderia ser.
Branca e Neve é estátua de jardim. Cinderela, fantasia de drag queen.
Escrito por Índigo às 11h39
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Por onde anda Branca de Neve
Ontem essa amiga aqui me mandou um email sugerindo que eu trocasse a Branca de Neve (que fica parada na frente da minha janela), por uma Cinderela. Engraçado que agora não lembro como chegamos nesse tópico. Mas, por incrível que pareça, num espaço de cinco dias ela é a terceira pessoa que vem falar comigo sobre Branca de Neve.
Há alguns dias que ela está com uma teia de aranha naquele vão entre o queixo e o peito. E tem um cocô de passarinho na sua saia, com folhas secas grudadas. Ela também está salpicada de terra porque eu tirei as flores que ficavam aos seus pés. Não limpo nem saia, nem teia de aranha, nem a cara dela porque estou achando o processo interessante. E talvez por achar que vai ser bom pra ela passar por isso. Pra ver se acorda. Mas aí chega a sugestão da Cinderela. Não aquela impostora do baile, mas a Cinderela do dia a dia, que varre e limpa. Com Cinderela seria uma relação de igual para igual. Eu trabalhando do lado de cá, dando duro, cheia de dúvidas, e ela lá fora, de vassoura na mão, pensando sobre sua trajetória como indivíduo.
Escrito por Índigo às 08h55
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Fruta x, y, z
Mais três árvores resolveram dar frutos por aqui. São frutinhas 100% inéditas, dessas que surgem na natureza de tantos em tantos ciclos. Vamos a elas:
Fruta x: Tem gosto de caqui duro misturado com pêssego. O formato é de bola de futebol americano, só que tamanho miniatura. Nascem verdes e vão aumentando de tom até ficaram vermelhas. A pele é bem fina, tipo de caqui mesmo, só que mais aveludada. Seria o filho de um caqui com um pêssego, só que mini.
Fruta y: Essa é filha de uma ervilha com uma jabuticaba. Verdinha e dura, mas perfeitamente redonda. Nasce verde e segue verde até murchar. Não tive coragem de experimentar.
Fruta z: É uma vagem amarela com formato de aspirina. Nasce numa árvore que some no inverno. Só sobra o tronco e uns galhinhos pelados. No verão ela fica imensa, florida e espaçosa, com vagens penduradas e galhos que balançam e fazem um chiadinho constante. Não me pareceu muito apetitosa.
Escrito por Índigo às 09h05
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Meu truque
Bastante orgulhosa das minhas mudas por estaquia. Elas enraizaram em três semanas e já estão crescendo. Como sei disso? Bem, uma técnica espertinha que eu inventei. Quando enfiei o galhinho no recipiente com terra, ao lado coloquei uma vareta exatamente da altura do galhinho. Assim, eu teria como avaliar quando o galho começasse a crescer. Funcionou. Todos eles já estão exatamente quatro centímetros mais altos que suas respectivas varetas. Portanto, na próxima lua cheia já posso transferi-los para o local definitivo. Antes, quando fiz sem as varetas, eu olhava, olhava e nunca sabia se já estava no ponto. Voilá!
PS – Azaleia por estaquia não deu certo. Queimaram nas pontas. A investigar...
PS - Outro detalhe importante. Faça isso no verão/ primavera. No inverno o processo é mega-lento e muito frustrante.
Escrito por Índigo às 08h31
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A escrita, a lua e as plantas
Esse negócio de seguir calendário lunar tem funcionado para as plantas e consequentemente para a escrita. É assim. Na semana de lua minguante a gente não pode fazer quase nada com as plantas. Não poda, não aduba e plantar então, nem pensar. Quanto muito dá para podar aquelas plantas que você quer que sumam de vez. Portanto, resta escrever. Semana que vem vai ser semana de escrever tudo aquilo que eu já deveria ter escrito e não escrevia por birra, por estar em crise criativa e por simplesmente não estar a fim de escrever. Aliás, estou maravilhada com a possibilidade de não escrever. Eu pareço uma aluna que fugiu da escola. É uma alegria meio tonta, eu sei. Mas daí vem a Lua, mexendo com os humores de todo mundo aqui em baixo, gente, planta, cachorro. E a gente obedece e pronto. Como se dentro da minha rebeldia eu ainda tivesse uma disciplina, por mais lunática que seja.
Escrito por Índigo às 10h05
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A verdade sobre o pé de chuchu
Hoje vamos falar sobre uma planta indócil, sem educação e folgada, o chuchu. Pra começar, ele nasce onde bem entende e vai se espalhando pra cima, pros lados, entrando por frestas e passando por cima dos outros. Ele lança braços fininhos e intermináveis que vão se enroscando nos vizinhos e se apoiando neles. Que nem um bêbado de sarjeta que se pendura na gente e não sai mais. Daí ele começa a produzir chuchu aos montes. Cada chuchu do tamanho de um sapato. Só que você não quer mais chuchu, e ele lá, dando cria a toda, como se vomitasse chuchus pelos ares. Você olha no pé de caqui e tem cinco chuchus pendurados. No pé de café, mesma coisa. Um chuchu verde amarelado gigante bem no meio. Parece uma cocô verde de dinossauro que caiu lá e ficou. E acha que adianta podar, cortar pela raiz? Que nada. Ele volta com fúria redobrada.
Escrito por Índigo às 09h06
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Jabuticabeira
Pra mim, é a árvore perfeita. Em termos de design e desempenho é imbatível. Vejamos por que.
1) Acessível e democrática. Mesmo que você tenha meio-metro de altura, ainda assim você consegue colher os frutos. Basta arrancar uma frutinha do tronco. Pluc.
2) Acolhedora e centrada. Permite que você entre nela. Sendo que lá de dentro você passa a ver o mundo ao contrário. Você vira o centro da terra e as pessoas, cachorros e passarinhos vão passando.
3) Compatível com as condições climáticas. Nenhuma objeção contra água. Quanto mais água, melhor. Nunca apodrecerá e nem desabará por excesso de água. Choveu, ela suga.
4) Discreta e elegante. Seus frutos não ficam chamando atenção, feito as jacas, bananas e laranjas. Ela os esconde entre as folhas e lhes confere cores sóbrias, visíveis apenas aos que forem íntimos.
5) Generosa. Produz o suficiente para saciar passarinhos, humanos e ainda gera uma safra adicional para ser usar na calda do sorvete de creme. Um luxo.
Escrito por Índigo às 09h37
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Sobre árvores
Plantei dez árvores durante o fim de semana. É um pouco como brincar de Deus. Elas batem no meu ombro. Daqui pra frente vão começar a me passar. Vão chegar na altura do meu pescoço, alcançarão a minha altura e daí pra frente não tenho mais como medir. Mas sempre que eu passar por elas e der um tapinha em seus troncos, sei que vão se lembrar de mim.
Muito boa essa sensação de plantar árvores. Nada a ver com fazer canteiros e hortas. É como construir um monumento. Não é como escrever um livro. O livro é um objeto invisível e sorrateiro que eu nunca entendi direito. É um mistério. A árvore não. Ela está bem ali, sempre no mesmo lugar, sólida, firme e confiável.
Escrito por Índigo às 09h36
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