Um tempinho, por favor
Queridos leitores:
Estou precisando dar uma parada. Volto no dia 4 de outubro. Com novidades.
Escrito por Índigo às 19h06
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Nóias do campo
Eles costumam andar de facão na mão e chapéu de cauboi. Param em frente a uma árvore que escolhem aleatoriamente e arrancam um graveto. Dão uns tapas no tronco e olham bem para a copa. Resmungam qualquer coisa. Penduram-se num tronco e puxam até quebrar.
“Podre”.
Pegam o facão e batem no galho.
“Tá podre”.
Daí se empolgam e começam a arrancar galhos inteiros, que vão atirando longe.
“Corta. Pode cortar”.
É uma cena forte e estranha, principalmente porque a árvore não tem como protestar. E o nóia lá, querendo brigar com alguém, chamando a árvore de podre, soltando os demônios.
Escrito por Índigo às 10h06
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Relações e reações
Amiga é assim:
- Ai, graças a Deus, vou tirar férias!
- Férias do quê?
Marido é assim:
- Ai, graças a Deus, vou tirar férias!
- Ótimo, daí você aproveita e dá um jeito na lavanderia.
Escrito por Índigo às 18h19
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Lógica de escritor
Quase terminando a biografia do Paulo Coelho, que tem sido muito instrutiva. Uma descoberta que vale a pena compartilhar:
Quando Paulo Coelho era ainda um projeto de escritor, ansioso para escrever sua primeira obra, eis o que ele considerava imprescindível para conseguir sentar a bunda na cadeira e escrever:
1) Estar casado.
2) Estar casado com uma mulher que lhe desse estabilidade emocional.
3) Sair do Brasil.
4) Estar perto dos pais (que moravam no Brasil)
5) Ter um farto estoque de cigarros por perto.
Escrito por Índigo às 17h07
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A comemoração engasgada
Ontem, assistindo a nova seleção brasileira, eu pensava:
Tá vendo, isso é que era para ter acontecido na copa. Viu, era só levar o time do Santos e o Pato. Aposto que o Brasil todo está pensando a mesma coisa.
Daí, hoje, ao passar rapidamente os olhos pelas notícias do UOL, pensei:
Hoje tudo quanto é blogueiro vai escrever a mesma coisa. Nem vale a pena comentar o jogo de ontem. O que eu tenho para acrescentar?
Mas pensando bem, vai ver futebol bom é isso. O país inteiro fica feliz e contente, repetindo as mesmas coisas. Todo mundo falando do futebol arte que voltou, da nova seleção que empolga, dos dribles do Neymar, da elegância do Ganso, daquele Pato maluco passando por cima do goleiro, do Robinho que acordou pra vida, finalmente comemorando aquela comemoração que ficou engasgada.
Escrito por Índigo às 12h39
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Dancing days
Depois de muito tempo parada eu voltei a dançar. Não chega a ser numa escola. É um grupo de amigas que vivem no meio do nada, mas mesmo assim querem dançar. Então chamamos um professor. Ele vem e nos dá aulas. Por enquanto estamos fazendo uma degustação de modalidades. Meu parecer, até o momento:
Balé clássico – ideal para pessoas que querem dançar, mas não têm coragem de realmente dançar. Demanda autocontrole, rigidez e paciência sem, no entanto, dar muito em troca. Indicado para pessoas em processo de formação de caráter.
Balé contemporâneo – ideal para pessoas cheias de questões internas que precisam ser extravasadas a qualquer custo. Demanda entrega absoluta: de corpo, alma, cabelo e inclusive a roupa, que costuma rasgar. Muito indicado para aqueles que apanharam pouco na vida.
Jazz – ideal para pessoas naturalmente exibidas e que se acham sensuais, independentemente de serem ou não. Demanda total falta de noção do ridículo. Indicado para quem apanhou demais na vida e agora merece uma trégua.
Escrito por Índigo às 18h41
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A leitora estável
Esses dias peguei “O menino do dedo verde” para reler. Foi um livro que me impressionou muito quando o li, aos 12 anos de idade. A ideia ao reler era descobrir o que esse livro tinha de tão espetacular na minha cabeça de 12 anos. Abri o livro pensando, não deve ser nada demais. O que eu sabia da vida com 12 anos? Eu lá entendia alguma coisa de literatura? Bem, vamos ver. Abro o livro. Leio o primeiro capítulo, o segundo, o terceiro e a cada frase vou percebendo que eu não era tão desmiolada assim. Aos 12 eu já sabia identificar um grande livro. Eu tinha um gosto literário apuradíssimo, mesmo sem conseguir colocar em palavras por que aquele livro era espetacular enquanto outros eram apenas livrinhos divertidos. Depois fiz o mesmo com Lygia Bojunga. Peguei os livros dela que fizeram minha cabeça aos 10 e os que eu achei chatinhos. E, voilá! Nada mudou. O que era chato então continua chato igual. E os que eu achava incríveis continuam igualmente incríveis. Tudo isso para dizer que quando escrevemos para crianças não estamos de modo algum escrevendo para crianças. Portanto, cuidado!
PS – Acho que escrevi esse post para mim. Mas se serviu, beleza.
Escrito por Índigo às 12h41
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Metafísica matinal
Por aqui, ainda lendo a biografia do Paulo Coelho, e daí, veja o que acontece. No meio de uma noite de sono muito aconchegante e gostosinha ele surge sem motivo. E eu ofereço a minha cama para ele, sendo que ele aceita sem cerimônia. Não a minha cama real, mas uma que já existiu na minha vida pregressa. Aliás, é uma bi-cama. Então eu puxo a cama debaixo e me enrodilho ali feito um cachorrinho. Paulo Coelho, que estava cansado por ter participado de um evento literário, puxa as cobertas e dorme na hora. Mas eu não consigo dormir. Eu fico pensando: isso vai render um bom post. Meus leitores nem vão acreditar, sendo que isso é o sonho. Mas do sonho eu já acordo, pois o galo está cantando, só que o pensamento do sonho ainda vale. Isso rende um bom post. Voltando, daí Paulo Coelho acorda de mau humor e vai tomar banho.
Escrito por Índigo às 07h47
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